Inúmeros são os fatores que colocam Morro do Chapéu, na Chapada Diamantina, como um dos novos polos promissores da vitivinicultura brasileira. Em menos de duas décadas, o município baiano saiu das primeiras experiências com o cultivo de uvas para alcançar reconhecimento em concursos nacionais e internacionais, consolidando-se pela qualidade dos vinhos finos produzidos na região.
O grande diferencial está no chamado ‘terroir’, que reúne condições naturais semelhantes às de regiões tradicionais da Europa. Com altitude superior a mil metros, o município apresenta dias quentes e noites frias, combinação essencial para o desenvolvimento de uvas viníferas de alta qualidade. Esse contraste térmico contribui diretamente para a preservação da acidez e a formação de aromas complexos, resultando em bebidas com identidade própria e diversidade de sabores.
Clima, altitude e qualidade no campo
O clima diferenciado, aliado ao tipo de solo, permite a produção de diferentes variedades de uvas e vinhos, ampliando o leque de rótulos e estilos. Essa diversidade tem sido um dos pilares para o crescimento da atividade, que une tradição, inovação e o uso de tecnologias modernas no campo.
Desde as primeiras iniciativas, a produção vem sendo acompanhada por instituições como a Embrapa Semiárido e a Secretaria de Agricultura da Bahia, que contribuíram para o desenvolvimento técnico da atividade. “A variação térmica é essencial para a preservação da acidez e o desenvolvimento de aromas complexos”, destacou o diretor de Desenvolvimento da Agricultura da Seagri, Assis Pinheiro Filho, ressaltando ainda o movimento para obtenção de selo de origem com indicação geográfica.
O setor também tem impacto direto na economia local. Segundo dados do IBGE, Morro do Chapéu registrou, em 2023, um PIB de R$ 1,5 bilhão, com cerca de 50% da movimentação econômica ligada ao agronegócio. Atualmente, o município conta com cinco vinícolas em funcionamento e outras em fase de implantação, consolidando a atividade como um importante vetor de desenvolvimento.

Enoturismo impulsiona economia e experiências
Mais do que produzir vinhos, Morro do Chapéu tem transformado a vitivinicultura em uma experiência completa. O crescimento do setor impulsionou o enoturismo, com roteiros que integram degustações, gastronomia, hospedagem e vivências no campo. “Mais do que uma atividade agrícola, a vitivinicultura tem impacto sobre o turismo, a gastronomia, a hospedagem, o comércio e os serviços, porque combina produção de valor agregado com experiências no território”, afirmou o gerente regional do Sebrae/Irecê, Edirlan Sousa.
Um dos exemplos é a Rota Sensorial, que reúne experiências com vinhos, queijos, embutidos, óleos essenciais, produtos orgânicos e até flores, ampliando as possibilidades para visitantes. Além disso, o município oferece trilhas ecológicas, cachoeiras e grutas, fortalecendo a integração entre natureza e turismo.
A história da vitivinicultura local tem como marco inicial o trabalho pioneiro do empreendedor Jairo Vaz, que em 2008 iniciou a implantação da primeira vinícola da região. A partir daí, novos produtores passaram a investir no setor, como as irmãs Laura Oliveira e Mayra Nunes, responsáveis pela vinícola Santa Maria, que alia produção, turismo rural e gastronomia, recebendo centenas de visitantes mensalmente.
Outro destaque é a vinícola Reconvexo, criada por três amigos apaixonados por vinho, que hoje acumula premiações importantes e oferece experiências completas ao público, incluindo eventos e hospedagem. A consolidação desses empreendimentos reforça o potencial da cidade como destino enogastronômico.

Premiações reforçam reconhecimento nacional
Desde o plantio das primeiras videiras, em 2008, Morro do Chapéu vem se destacando na produção de vinhos especiais no Brasil. Esse reconhecimento ganhou ainda mais força na edição de 2025 da Grande Prova Vinhos do Brasil, quando rótulos da região conquistaram cinco medalhas de ouro e uma de prata, evidenciando o alto padrão de qualidade alcançado.
Entre os destaques estão o Ferro Doido Malbec, da Vinícola Vaz, e o Reconvexo Reserva Syrah, ambos premiados com medalha de ouro e 92 pontos. Também receberam ouro os rótulos Vila do Ventura Barriguda, Vila do Ventura Estrada Real e Tom de Marselan, todos da Vinícola Reconvexo, com 91 pontos. Já o Chapada Diamantina Sauvignon Blanc, da Vinícola Vaz, garantiu medalha de prata com 90 pontos.
Com clima privilegiado, diversidade produtiva e forte integração com o turismo, Morro do Chapéu segue se consolidando como referência nacional. A combinação entre qualidade, inovação e valorização do território projeta o município como um dos principais destinos emergentes da vitivinicultura brasileira. Jornal da Chapada com informações do portal A Tarde.

















































