No coração da Chapada Diamantina, Morro do Chapéu revela um cenário que contrasta com a imagem tradicional do semiárido ao abrigar vinhedos produtivos e experiências ligadas ao enoturismo. A altitude elevada, aliada a noites mais frias e manejo técnico adequado, cria condições favoráveis para o cultivo de uvas e a produção de vinhos que vêm ganhando reconhecimento.
Um dos exemplos é a Vinícola Vaz, onde a produção artesanal se une a uma proposta de visitação mais próxima e acolhedora. O roteiro inclui caminhada pelos vinhedos, explicações sobre o cultivo em clima semiárido, visita à área de produção e degustação de rótulos. A experiência costuma ser conduzida pelos próprios produtores, que compartilham a história da família e os desafios de implantar a vitivinicultura na região.
Nos parreirais, uvas como Syrah, Malbec, Pinot Noir e Chardonnay se adaptaram ao terroir local, beneficiadas pelas condições climáticas específicas da altitude. O resultado é uma produção que, mesmo em menor escala, prioriza qualidade e identidade, refletindo as características únicas do ambiente onde é cultivada.
Outro destaque é a Vinícola Reconvexo, que aposta em uma experiência enoturística completa. O visitante percorre o parreiral, conhece a adega e participa de degustações guiadas com rótulos como Tempranillo, Marselan e Sauvignon Blanc, produzidos no próprio local.
A vinícola também oferece espaços de convivência ao ar livre, como o wine garden, onde é possível apreciar vinhos e drinks acompanhados de petiscos, em meio à paisagem natural da Chapada. A proposta valoriza o contato com o ambiente, tornando a visita não apenas informativa, mas também sensorial.
Com produção local crescente, visitas guiadas e paisagens que surpreendem, Morro do Chapéu amplia seu espaço no enoturismo nacional. A combinação entre clima, altitude e investimento na atividade mostra que o sertão baiano também pode produzir vinhos de qualidade e atrair visitantes em busca de novas experiências.
Jornal da Chapada

