O patrimônio arqueológico da Chapada Diamantina voltou ao centro das discussões acadêmicas e culturais com o lançamento do Projeto de Pesquisa Arqueológica do Complexo Serra das Paridas, realizado no dia 19 de maio, no auditório do Memorial Afrânio Peixoto, em Lençóis. A iniciativa reúne pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA), da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) — Campus Seabra, e conta com apoio da Secretaria de Turismo do município. O projeto busca ampliar pesquisas arqueológicas, fortalecer ações de educação patrimonial e valorizar um dos sítios arqueológicos mais importantes do interior baiano.
Localizada no município de Lençóis, a Serra das Paridas abriga um dos mais importantes complexos arqueológicos do país, reconhecido pela grande concentração de pinturas rupestres preservadas, vestígios de ocupações pré-históricas e registros que ajudam a compreender antigas formas de expressão, comunicação e organização dos primeiros grupos humanos que habitaram a região há milhares de anos.
O lançamento do projeto reuniu arqueólogos, pesquisadores, gestores ambientais, estudantes, professores, representantes do setor turístico e membros da comunidade local. A proposta envolve atividades de escavação arqueológica, estudos laboratoriais, produção científica e ações educativas voltadas à população da região.
O coordenador geral do projeto, o professor e arqueólogo Carlos Etchevarne, destacou a relevância histórica e científica da Chapada Diamantina para a arqueologia brasileira. “Eu sempre tenho expectativas com relação à Chapada porque a profusão de materiais arqueológicos é enorme. E sempre sinto um grande pesar pelo fato de não serem aproveitados e, sobretudo, não serem respeitosamente cuidados. Considero que, de alguma forma, o lançamento dessa nova etapa, desse trabalho aqui na Chapada, pode ter grandes expectativas, no sentido de que parece que os representantes estão envolvidos de uma forma sincera”, afirma.
A pesquisa será realizada durante um período de 12 meses e envolverá atividades de campo, escavações arqueológicas, estudos laboratoriais, ações de educação patrimonial e produção de conteúdo científico. O trabalho contará com a participação de bolsistas da UNEB e da UFBA, além de professores dos cursos de jornalismo, língua inglesa e pedagogia da UNEB Seabra, reunindo ainda pesquisadores e profissionais das áreas de arqueologia, turismo e patrimônio cultural para ampliar o alcance social e educativo do projeto para além do ambiente acadêmico.
Projeto busca aproximar arqueologia das escolas e da comunidade
O arqueólogo Alvandyr Bezerra, coordenador de campo da pesquisa, ressaltou que o trabalho pretende aproximar a população do patrimônio arqueológico existente na região. “É um projeto que vai além da pesquisa arqueológica. É um projeto que eu diria de ordem social e educacional. A ideia da gente é exatamente fazer com que a pesquisa arqueológica chegue às escolas, chegue à comunidade, e que essa comunidade também vá ao sítio arqueológico, visite o sítio arqueológico para entender esse contexto. Então, estou muito feliz, acredito nesse projeto e ainda mais envolvendo pessoas, estudantes e professores, da Chapada Diamantina”, destaca.
A coordenadora do curso de jornalismo da UNEB Seabra, Juliana Almeida, também enfatizou a importância da divulgação científica no processo de democratização do conhecimento produzido pela pesquisa. “A gente vai ter a oportunidade de trabalhar com divulgação científica, com jornalismo científico, trazendo para a comunidade todo trabalho feito lá na Serra das Paridas. Então nosso desafio é exatamente fazer com que esse conhecimento saia dos muros da universidade e que ele possa ser apropriado pelas outras pessoas”, pontua.
Serra das Paridas
Reconhecido como um dos mais relevantes patrimônios arqueológicos da Bahia, o Complexo Serra das Paridas reúne 18 sítios arqueológicos espalhados por formações rochosas da Chapada Diamantina e concentra mais de mil pinturas rupestres preservadas em paredões de arenito. Os registros apresentam formas geométricas, figuras humanas, representações de animais e traços considerados raros pelos pesquisadores, incluindo delicadas linhas amarelas que permanecem visíveis mesmo após milhares de anos expostas nas rochas.
O Complexo Serra das Paridas também se destaca pelo potencial turístico, cultural e educativo que possui para a Chapada Diamantina. Atualmente, um dos sítios arqueológicos está aberto à visitação, oferecendo a moradores, estudantes e turistas a oportunidade de conhecer de perto as pinturas rupestres preservadas nas formações rochosas, além de vivenciar uma experiência ligada à memória dos antigos povos que habitaram a região há milhares de anos. O espaço também contribui para fortalecer o turismo de base cultural e ampliar o interesse pela preservação do patrimônio arqueológico brasileiro.
No dia 20 de maio, a equipe técnica responsável pelo projeto realizou a primeira visita de campo ao Complexo Arqueológico Serra das Paridas, marcando o início das atividades práticas da pesquisa arqueológica na região. A visita reuniu pesquisadores, professores, bolsistas e profissionais envolvidos no estudo, que puderam conhecer de perto os sítios arqueológicos, observar as pinturas rupestres preservadas nos paredões rochosos e discutir ações ligadas à preservação do patrimônio, educação patrimonial e valorização da memória histórica da Chapada Diamantina.
A iniciativa reforça a importância da preservação dos sítios arqueológicos da Chapada Diamantina e amplia o debate sobre proteção do patrimônio histórico brasileiro. Para pesquisadores envolvidos no projeto, preservar locais como a Serra das Paridas significa garantir que parte da história dos primeiros habitantes do território baiano continue acessível às futuras gerações. As informações são de assessoria.

