O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) estão presentes em 12 estados dos Estados Unidos, afirma o governo Donald Trump. A porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Roberson, porém, não soube especificar quais são essas federações em entrevista ao jornal Folha de São Paulo.
Segundo ela, a decisão de classificar as facções como terroristas foi tomada com base em avaliações de segurança nacional e integra a estratégia da administração Trump de utilizar “todas as ferramentas disponíveis” para proteger o território americano. “Sabemos que estes dois grupos, o PCC e o CV, estão atuando dentro do Brasil, mas também em outros países. Inclusive identificamos suas atividades em 12 estados aqui nos Estados Unidos”, afirmou.
A decisão dos EUA foi anunciada dois dias após o pré-candidato e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participar de uma reunião com Trump, ocasião em que pediu pela designação das facções como grupos criminosos. A porta-voz do Estado afirma que Trump se reúne e fala com os políticos de todo o mundo, “mas ele toma as suas decisões de forma independente, sempre colocando o interesse dos EUA em primeiro lugar”.
Questionada sobre a natureza da atuação das facções em território americano, Roberson afirmou que os grupos participam de atividades ligadas ao tráfico de drogas, tráfico de pessoas, contrabando e movimentação de recursos financeiros ilícitos. “Eles manejam fluxos e redes financeiras ilícitas. Apresentam uma ameaça não só para a segurança dentro do Brasil, mas também em outros países”, disse.
A classificação anunciada pelo governo Trump não prevê qualquer tipo de intervenção militar, ressaltou a porta-voz. Segundo ela, trata-se de um instrumento legal previsto na legislação americana para combater organizações consideradas ameaças à segurança nacional.
Entre as consequências estão as restrições de visto para pessoas que são membros dos grupos, também bloqueio de todos os seus bens nos Estados Unidos e a proibição de que qualquer pessoa nos Estados Unidos realize qualquer tipo de transação com os grupos.”
Após a medida, o governo Lula lamentou a decisão. Em nota, afirmou que a segurança da população “é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros”.
Autoridades brasileiras argumentam que o combate ao crime organizado é uma questão de soberania nacional e criticam iniciativas que possam ser interpretadas como interferência externa. Roberson afirmou que Washington respeita as decisões do Brasil, mas defendeu uma atuação mais dura contra as facções.
“Sempre estamos em comunicação com as autoridades brasileiras e incentivamos que tomem medidas mais rigorosas contra esses grupos, que estão causando muita violência e muito dano em todo o Brasil”, declarou. Questionada sobre quais seriam essas medidas que o governo deveria adotar, ela não especificou.
“É responsabilidade do governo brasileiro avaliar”, disse ela. Ela citou ainda operações conjuntas entre os dois países e afirmou que mais de 17 toneladas de cocaína foram apreendidas no último ano em ações realizadas em parceria com autoridades brasileiras.
Segundo a porta-voz, a designação produz efeitos imediatos nos Estados Unidos, incluindo bloqueio de bens eventualmente vinculados às organizações, restrições de vistos para integrantes, proibição de transações financeiras com os grupos e criminalização do fornecimento de apoio material às facções.
Roberson também negou que a medida tenha qualquer relação com as eleições presidenciais brasileiras de 2026. “É a decisão do povo brasileiro decidir quem vai ser o seu próximo presidente. Nossa prioridade é a segurança dos Estados Unidos”, afirmou.
A representante do Departamento de Estado disse que a cooperação entre os órgãos de segurança dos dois países continuará normalmente, incluindo a atuação de agências americanas em parceria com autoridades brasileiras. A redação é de Isabella Menon da Folhapress.

