A decisão do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) de autorizar, na última terça-feira (2), serviços de manutenção em apenas 217,5 quilômetros da BR-242, entre Paraguaçu e Lençóis, foi recebida como uma resposta insuficiente diante dos inúmeros problemas enfrentados ao longo da rodovia na Chapada Diamantina.
Apesar do investimento anunciado de R$ 157,3 milhões, o trecho contemplado não alcança diversos pontos considerados críticos da estrada, justamente onde se concentram acidentes frequentes, reclamações de motoristas e antigas reivindicações por obras mais abrangentes.
O contrato prevê ações de conservação do pavimento, recuperação da sinalização, roçagem e limpeza dos sistemas de drenagem ao longo de 41 meses. No entanto, a medida não contempla importantes segmentos da BR-242 que atravessam a Chapada Diamantina, incluindo áreas próximas a Seabra, Palmeiras, Iraquara, Itaberaba e outros trechos que há anos acumulam problemas estruturais e preocupam quem utiliza a rodovia diariamente.
A cobrança por investimentos mais robustos voltou a ganhar força após uma sequência de acidentes graves registrados na região. O caso que mais comoveu a Bahia foi a morte do menino Nicolas Dourado da Silva, de apenas 6 anos, em um acidente ocorrido na Curva do S, em Seabra. A tragédia reacendeu os debates sobre a segurança da BR-242 e expôs novamente a necessidade de intervenções que vão além de simples serviços de manutenção.
Trechos críticos seguem sem previsão de melhorias estruturais
Além do acidente em Seabra, outros episódios recentes reforçam a preocupação com as condições da rodovia. Em março deste ano, uma colisão envolvendo sete veículos no trecho de Ruy Barbosa deixou uma pessoa morta. Dias depois, outro acidente envolvendo carretas e automóveis foi registrado na região de Palmeiras, ampliando a lista de ocorrências que têm marcado a BR-242 nos últimos anos.
Motoristas apontam que problemas como buracos, asfalto desgastado, sinalização precária, ausência de acostamentos adequados e curvas perigosas continuam sendo encontrados em diferentes pontos da estrada. Em alguns trechos da Chapada Diamantina, especialmente entre Seabra, Palmeiras e Iraquara, os defeitos na pista são alvos constantes de reclamações e colocam em risco moradores, turistas e caminhoneiros.

A situação chama ainda mais atenção porque a BR-242 é uma das rodovias mais importantes da Bahia, funcionando como principal acesso à Chapada Diamantina e corredor estratégico para o transporte da produção agrícola do oeste baiano. Mesmo com sua relevância econômica e turística, a estrada segue sem receber intervenções estruturantes compatíveis com o crescimento do fluxo de veículos registrado nas últimas décadas.
Embora a manutenção autorizada pelo DNIT represente uma melhoria pontual, ela não resolve os problemas mais graves da BR-242 na Chapada Diamantina. Diante do aumento dos acidentes, das constantes cobranças da população e do desgaste visível da rodovia, a medida acaba sendo vista como limitada para uma estrada que há muito tempo necessita de investimentos mais amplos, capazes de garantir segurança e melhores condições de tráfego em toda a sua extensão regional.
Jornal da Chapada
















































