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#Chapada: Seminário em Seabra debate direitos, desafios e conquistas das populações atingidas por barragens na região chapadeira

Seminário reúne lideranças, pesquisadores e comunidades para discutir impactos das barragens na Chapada Diamantina | FOTO: Montagem do JC |

A Universidade do Estado da Bahia (UNEB), em Seabra, sediou na última sexta-feira (12) o seminário ‘A Luta das Populações Atingidas por Barragens na Chapada Diamantina: desafios e conquistas’. Promovido pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o encontro reuniu moradores, pesquisadores, lideranças sociais e representantes de comunidades da região para discutir os impactos provocados por empreendimentos hídricos e os caminhos para a garantia de direitos das populações afetadas.

Considerado um importante espaço de debate para a Chapada Diamantina, o seminário abordou temas relacionados ao deslocamento de famílias, preservação dos territórios, acesso à água, reparação de danos e participação das comunidades nos processos de tomada de decisão. O evento também serviu para fortalecer a articulação entre os atingidos e ampliar a visibilidade de pautas consideradas históricas para diversas localidades da região.

Participantes discutiram conquistas históricas e desafios enfrentados por comunidades atingidas pelas barragens | FOTO: Reprodução/ Kallyane Nery e Ananda Azevedo |

Conquistas e avanços para as comunidades
Entre os principais avanços apresentados durante o encontro esteve a implementação da Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens (PNAB) na Bahia, primeiro estado do país a colocar em prática a legislação. Também foi destacada a escolha da Assessoria Técnica Independente (ATI) para atender as comunidades de Baraúnas e Vazante, medida considerada fundamental para garantir suporte técnico às famílias atingidas e ampliar sua participação nos processos de negociação e fiscalização.

A escolha da ATI foi apontada pelos participantes como um marco histórico para os atingidos por barragens, já que representa uma ferramenta importante para assegurar acompanhamento técnico qualificado, acesso à informação e maior equilíbrio nas discussões envolvendo reparações, reassentamentos e demais direitos das comunidades afetadas.

A comunidade de Vazante esteve presente no encontro promovido pelo MAB, contribuindo para os debates sobre reparação e justiça social | FOTO: Reprodução/ Kallyane Nery e Ananda Azevedo |

Conflitos hídricos e desafios permanentes
Outro tema que ganhou destaque foi a situação dos conflitos hídricos na Bacia do Rio Utinga, especialmente no município de Wagner. Durante as discussões, foram apresentados estudos apontando preocupações relacionadas à escassez de água em comunidades rurais, ao avanço da monocultura e à necessidade de maior fiscalização sobre o uso dos recursos hídricos na região.

O seminário também debateu os impactos sociais provocados pela construção de barragens, incluindo o deslocamento forçado de famílias, a perda de vínculos comunitários e as mudanças nos modos de vida de populações tradicionais. Participantes ressaltaram que os efeitos desses empreendimentos vão além das alterações geográficas, alcançando aspectos culturais, econômicos e sociais que afetam diretamente a vida das comunidades.

Para os organizadores, o seminário representou mais um passo no fortalecimento da luta das populações atingidas por barragens na Chapada Diamantina. O evento consolidou um espaço de reflexão sobre os desafios ainda existentes, ao mesmo tempo em que evidenciou conquistas recentes e a importância da mobilização social na defesa de direitos e na construção de soluções para a região.

Jornal da Chapada

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