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#Chapada: Presidente da Brazil Iron, Guy Saxton explica que “o ferro verde vai redesenhar a descarbonização do aço”

Artigo do presidente da Brazil Iron repercute após publicação na CNN | FOTO: Montagem do JC |

Em artigo publicado na CNN Infra, o presidente da Brazil Iron, Guy Saxton conta como o minério de ferro de alta qualidade pode reduzir emissões e criar uma nova oportunidade para o Brasil. Ele explica que a transição energética global costuma ser associada à expansão das fontes renováveis, dos veículos elétricos e da modernização da infraestrutura.

“Essa leitura está correta, mas deixa de lado um ponto decisivo: descarbonizar a economia mundial exigirá mais aço, mais cimento, mais concreto e, portanto, uma nova forma de produzir os insumos que sustentam o desenvolvimento”, frisa.

Saxton afirma que a demanda por aço, cimento e concreto deve crescer mais de um terço até 2050. Isso deve acontecer quando a população global chegar a 9,7 bilhões de pessoas, com cerca de 70% vivendo em cidades.

“Para acomodar essa expansão urbana, o equivalente a uma nova cidade de Nova York precisará ser construído a cada mês pelos próximos 40 anos. Até mesmo tecnologias que simbolizam a transição, como as turbinas eólicas, dependem de grandes volumes de aço e concreto”, argumenta Guy.

A Brazil Iron se destaca pela produção de aço alinhada à sustentabilidade ambiental | FOTO: Reprodução |

O presidente da Brazil Iron lembra que no caso do aço, o desafio é particularmente sensível. Ele apresenta que cadeia de ferro e aço responde por cerca de 9% das emissões globais, “o que explica por que sua transformação passou a ocupar papel central nas estratégias de descarbonização. É nesse contexto que o ferro verde, especialmente o HBI, ganha importância”.

Guy Saxton destaca o ferro verde como insumo intermediário entre o minério de ferro e o aço. “Ele ajuda a viabilizar rotas siderúrgicas de menor emissão e maior eficiência industrial. Essa mudança já começa a ganhar escala”.

“Mais de 300 mtpa de capacidade de fornos elétricos a arco, os EAFs, estão hoje planejados no mundo. O HBI verde é uma matéria-prima decisiva nesse movimento, ao apoiar a transição de modelos baseados em carvão para uma siderurgia mais limpa”, completa.

O artigo publicado pela CNN também diz que, “ao mesmo tempo, mecanismos como o CBAM europeu e iniciativas como o GX no Japão começam a atribuir valor econômico à redução de emissões, criando suporte de preço para materiais de menor intensidade carbônica”.

A empresa Brazil Iron tem fortalecido as ações de gestão de recursos hídricos na Chapada Diamantina | FOTO: Montagem do JC |

Guy diz que “ainda há quem veja o ferro verde apenas pelo prisma do custo mais alto frente às rotas convencionais. Sim, trata-se de uma solução mais cara. Mas a discussão já não pode se limitar ao preço imediato da tonelada. O mercado internacional começa a valorizar materiais com menor pegada de carbono, maior rastreabilidade e maior aderência regulatória”.

Ele aponta que “em muitos casos, o impacto final é menor do que parece”. Estudo do International Council on Clean Transportation mostra que o uso de aço com emissões mais baixas acrescentaria cerca de 1% ao preço médio de um veículo novo.

“Do ponto de vista tecnológico, o debate também precisa ser tratado com pragmatismo. A descarbonização da siderurgia não será viabilizada por uma única solução nem ocorrerá de forma instantânea. Rotas iniciais com uso de gás e captura e armazenamento de carbono podem reduzir em até 95% as emissões na produção de HBI verde. Em uma etapa posterior, com hidrogênio verde, essa redução pode chegar a 99%. Isso mostra que já existe uma trajetória concreta de transição, com soluções progressivamente mais limpas e capacidade de escala”, descreve trecho do artigo.

Oportunidade para o Brasil
De acordo com Guy Saxton o Brasil se sobressai por reunir minério de alta qualidade. “Esse movimento cria uma oportunidade relevante para o Brasil. O país reúne minério de alta qualidade, incluindo itabirito friável abundante no território brasileiro, que permite a remoção de contaminantes a um custo competitivo, uma matriz energética com forte presença de renováveis e condições de agregar mais valor à sua produção mineral”.

Por fim, Guy Saxton revela que “apenas cerca de 3% do minério de ferro global é desse tipo e, portanto, apresenta qualidade adequada para esse processo”. “Em vez de se limitar à exportação de matéria-prima, pode ocupar posições mais sofisticadas nas etapas de beneficiamento e transformação industrial. Em um ambiente global cada vez mais orientado pelo carbono, o ferro verde deixa de ser apenas uma escolha ambiental. Passa a ser uma decisão econômica, industrial e geopolítica”.

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