Prometida por diferentes grupos políticos ao longo de mais de uma década, a Passarela do Zuca permanece sem sair do papel e se tornou símbolo de uma obra cercada por anúncios, prazos descumpridos e frustração para os moradores de Boa Vista do Tupim. O equipamento, projetado para garantir a travessia segura de pedestres sobre a BR-242, sequer avançou além de uma intervenção inicial no terreno, enquanto quem vive na comunidade continua enfrentando diariamente os riscos de atravessar uma das rodovias mais movimentadas da Bahia.
A estrutura chegou a ter um início de execução, mas o cenário encontrado no local evidencia o abandono do projeto. Em vez da passarela prometida, restam apenas pedras espalhadas, uma base de concreto montada diretamente no solo e uma estrutura considerada frágil, sem qualquer avanço significativo. O espaço onde a obra deveria ganhar forma também abriga um grande buraco que, durante o período chuvoso, acumula água e se transforma em um verdadeiro poço.
A necessidade da passarela é antiga. Localizada no distrito de Zuca, a estrutura foi projetada para permitir a travessia segura dos moradores sobre a BR-242, reduzindo os riscos de atropelamentos e acidentes graves em um trecho de intenso fluxo de veículos.

Promessas se acumulam, mas obra continua parada
Ao longo dos últimos anos, diferentes lideranças políticas anunciaram a construção da passarela como uma conquista para o município. Em 2020, após a publicação da licitação pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), o então deputado federal Valmir Assunção (PT) e o ex-prefeito João Passos Trabuco, o Gidu (PT), comemoraram o avanço do projeto e destacaram que a luta pela obra vinha desde 2013. Na época, o discurso era de que a construção finalmente colocaria fim aos perigos enfrentados diariamente pelos moradores durante a travessia da rodovia.
Cinco anos depois, em fevereiro de 2025, uma nova promessa reacendeu a expectativa da população. O então deputado federal Otto Filho (PSD) anunciou, por meio das redes sociais, que o DNIT havia firmado o contrato para implantação da passarela após solicitação do líder político Henrique Coimbra. Segundo a publicação, a obra teria prazo contratual de apenas 90 dias, contados a partir de 17 de fevereiro daquele ano, alimentando a esperança de que o problema histórico seria resolvido em poucos meses.

O prazo, entretanto, expirou sem que a estrutura fosse concluída. Mais de um ano depois, a passarela continua distante da realidade dos moradores. O que deveria representar um avanço na segurança viária transformou-se em mais um exemplo de cronogramas não cumpridos e expectativas frustradas.
Enquanto a obra permanece paralisada, os impactos recaem diretamente sobre a população. Crianças, estudantes, trabalhadores, idosos e demais moradores continuam cruzando a BR-242 em meio ao tráfego intenso de caminhões, ônibus e veículos de passeio. Além do risco permanente de acidentes, o local onde os serviços foram iniciados passou a representar um novo ponto de preocupação, devido ao buraco deixado pela intervenção inacabada.
A responsabilidade pela execução da obra é do DNIT, órgão federal encarregado das intervenções na BR-242. Até o momento, porém, a estrutura que deveria garantir mais segurança permanece restrita às sucessivas promessas feitas em diferentes períodos eleitorais e por distintos grupos políticos. Entre anúncios, licitações, contratos e fotografias de divulgação, a comunidade do Zuca segue aguardando que a obra finalmente deixe o discurso e se transforme em realidade.
Jornal da Chapada























































