A pressão pela criação de uma nova área de proteção ambiental na Chapada Diamantina ganhou repercussão nacional após a manifestação da ex-ministra do Meio Ambiente e atual candidata ao Senado Marina Silva (Rede-SP). Em vídeo publicado na última segunda-feira (27), ela cobrou agilidade do Governo da Bahia para a criação do Refúgio de Vida Silvestre da Serra da Chapadinha e defendeu proteção para a biodiversidade e para as pessoas que atuam na preservação da região.
Marina também declarou solidariedade ao casal de ambientalistas Alcione Correa e Marcos Fantini, proprietários da Pousada Toca do Lobo e principais nomes da mobilização pela conservação da serra. Em maio deste ano, os dois foram vítimas de um atentado dentro da pousada, quando criminosos armados invadiram o local, depredaram a estrutura e fizeram ameaças. Após o episódio, o casal deixou a região por questões de segurança, mas manteve a defesa da preservação ambiental.
“Eu espero que a gente possa criar o mais rápido possível essa unidade de conservação, que será feita pelo governo da Bahia, para proteger o meio ambiente e a vida das pessoas”, afirmou Marina Silva. A ex-ministra destacou ainda que a Serra da Chapadinha possui importância estratégica para a segurança hídrica, por abrigar nascentes que contribuem para o abastecimento do semiárido baiano e da Região Metropolitana de Salvador.
Disputa por território e pressão sobre a área ambiental
Localizada na porção sul da Chapada Diamantina, a Serra da Chapadinha passou a ser alvo de uma crescente mobilização ambiental diante do avanço de conflitos fundiários envolvendo interesses econômicos, ocupações irregulares e disputas pela posse da terra. A região é considerada um território estratégico por concentrar áreas de preservação, nascentes e ecossistemas fundamentais para o equilíbrio ambiental de diversos municípios baianos.
Organizações ambientais e defensores da área apontam que o território enfrenta pressão relacionada à especulação imobiliária, ao interesse de grandes empreendimentos e à possibilidade de expansão de atividades minerárias. Segundo os movimentos que atuam na defesa da serra, a grilagem de terras e a tentativa de apropriação de áreas públicas e tradicionais têm aumentado a tensão na região.
A criação do Refúgio de Vida Silvestre da Serra da Chapadinha ganhou força a partir de 2023, com atuação de Alcione e Marcos, que transformaram a preservação do território em uma das principais bandeiras ambientais da Chapada Diamantina. A proposta busca garantir proteção legal à área e estabelecer regras para o uso sustentável dos recursos naturais.

Mobilização política e próximos passos
Em maio, uma comitiva formada por ambientalistas, lideranças regionais e representantes políticos participou de uma reunião na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) para discutir medidas de proteção da serra. O encontro contou com a presença da deputada estadual Ivana Bastos (PSD) e do deputado estadual Hilton Coelho (PSOL), além de outros apoiadores da criação da unidade de conservação.
Em junho, o Governo da Bahia abriu uma consulta pública para discutir a criação do Refúgio de Vida Silvestre, etapa considerada necessária para ouvir comunidades, pesquisadores e demais setores envolvidos. Até o momento, porém, não há previsão oficial divulgada para a implantação definitiva da unidade.

A preservação da Serra da Chapadinha é defendida como uma medida que ultrapassa os limites da Chapada Diamantina. Além de proteger fauna, flora e áreas de recarga hídrica, a criação da unidade pode contribuir para garantir segurança ambiental para dezenas de municípios baianos que dependem dos recursos naturais da região.
O caso também reacende o debate sobre a necessidade de conciliar desenvolvimento econômico e preservação ambiental em áreas de grande valor natural. Para ambientalistas, a proteção da Serra da Chapadinha representa não apenas a defesa de um patrimônio ecológico, mas também a garantia de recursos essenciais para as futuras gerações em toda a Bahia.
Jornal da Chapada






















































