Prefeitos do interior da Bahia, da região de Irecê, fizeram duras críticas à gestão do governador Jerônimo Rodrigues e apontaram um movimento crescente de lideranças municipais em torno da candidatura de ACM Neto ao Governo do Estado.
Em entrevista à rádio Líder FM, o prefeito de Jussara, Tacinho Mendes (PP), e o prefeito de Ibititá, Afonso Mendonça (MDB), afirmaram que dificuldades enfrentadas pelos municípios e problemas em áreas como saúde, segurança e educação têm ampliado o sentimento de mudança entre os baianos.
Tacinho afirmou que sua decisão de apoiar ACM Neto também passa pela experiência vivida à frente da Prefeitura de Jussara. Segundo ele, mesmo após procurar o governo estadual e apresentar demandas e projetos para o município, não houve retorno em investimentos.
“Durante esses quatro anos do governo, nós tivemos zero investimento no município de Jussara. O máximo que recebemos foi auxílio pequeno durante a seca. Tudo o que nós temos realizado lá hoje de infraestrutura, de obras e de avanços ou foi feito com recurso próprio ou com a ajuda dos nossos deputados”, afirmou.
O prefeito relatou que buscou pessoalmente o governo Jerônimo após a eleição de 2022 e chegou a elaborar projetos seguindo orientações recebidas da própria gestão estadual. Segundo ele, foram diversas tentativas para conseguir viabilizar as intervenções.
“Fui uma vez, fui duas vezes, fui três vezes, fui quatro vezes, até que eu vi que não passava apenas de conversa. Então, não tenho como hoje dar apoio a um governador que, infelizmente, não pôde olhar para a nossa cidade em nenhum momento”, declarou Tacinho.
O prefeito de Ibititá, Afonso Mendonça, afirmou que o desgaste não está restrito a um município ou região e relacionou o sentimento de mudança aos resultados apresentados pelo Estado depois de duas décadas sob o comando do mesmo grupo político.
“É inegável que em 20 anos aconteceram elementos importantes, alguns avanços. A gente não pode desconsiderar. Mas o saldo disso, depois de 20 anos, é o cansaço da população e a necessidade de mudança no nosso Estado”, disse.
Afonso também criticou a realização de atos e anúncios de obras pelo governo estadual na reta final da campanha. Para ele, a intensificação das ações às vésperas da votação demonstra uma reação ao cenário eleitoral.
“Faltando 30 dias para a eleição, fazer eventos de ordem de serviço de estradas vicinais de 10, 15, 20, 30 quilômetros é a coisa mais eleitoreira e oportunista que pode existir na política. É o que tem sido feito porque as pesquisas eleitorais e as redes sociais estão mostrando que a Bahia quer uma mudança”, afirmou.
Pressão sobre os municípios
Os dois prefeitos também destacaram a situação da saúde como um dos problemas que chegam diariamente às administrações municipais. Tacinho, que é médico, afirmou que, apesar de as prefeituras serem responsáveis pela atenção básica, os gestores acabam pressionados por famílias que aguardam atendimento de média e alta complexidade na rede estadual.
“Como médico e como prefeito, recebo diariamente, praticamente, ligações de pessoas de Jussara e de outras cidades pedindo apoio para que a gente possa tentar ajudar nessa questão da fila da regulação”, relatou.
Afonso reforçou o relato e disse que prefeitos, vereadores e lideranças do interior convivem com pedidos de famílias que tentam conseguir vagas para parentes com câncer e outras doenças graves.
“É diariamente um pedido no WhatsApp: ‘pelo amor de Deus, consiga a regulação da minha mãe, do meu pai, do meu filho, do meu irmão’. Enquanto isso, você vê o Estado tapando o sol com a peneira e falando que a regulação da Bahia é uma maravilha”, criticou.

