A construção da barragem em Itaberaba teve início em 6 de agosto de 1932 e mobilizou cerca de 1.100 trabalhadores. Em uma época sem os recursos e equipamentos disponíveis atualmente, grande parte dos serviços era realizada manualmente, com o esforço dos próprios operários. A obra também representou uma fonte de renda para milhares de pessoas em um período marcado pelas dificuldades provocadas pela seca.
Batizado oficialmente como Açude Público Juracy Magalhães Júnior, o reservatório se tornou um dos principais marcos históricos do município portal de entrada da Chapada Diamantina. Apesar da dimensão da obra, a água do rio Piranhas apresentava salinidade elevada, o que impediu que o açude fosse utilizado para abastecimento humano, irrigação ou emprego na construção civil.
Poucos meses após a inauguração, a chegada das chuvas mudou o cenário. Cerca de cinco meses depois, o volume de água aumentou significativamente e o açude chegou a transbordar, surpreendendo a população. A paisagem, que havia sido marcada pela forte estiagem, ganhou uma nova aparência com a cheia do reservatório.
Ao longo das décadas, o espaço passou a ser utilizado também para pesca artesanal e lazer. Pequenos pescadores encontraram no açude uma fonte de subsistência, enquanto o local se consolidou como um ponto de referência para os moradores de Itaberaba.
Mais de 90 anos depois de sua construção, o Açude Juracy Magalhães Júnior continua ligado à memória da população. O reservatório representa um período de enfrentamento à seca e também guarda lembranças de grandes cheias que transformaram a paisagem da cidade.
A importância histórica do local também ganhou novos projetos de valorização. Em 2023, foi assinada a ordem de serviço para a construção da Orla do Açude Juracy Magalhães, com investimento superior a R$ 8 milhões. A proposta prevê ciclovia, quadra esportiva, passeios e áreas destinadas ao lazer, ampliando o potencial turístico e cultural do espaço.
Entre períodos de seca, cheias e transformações urbanas, a barragem permanece como parte da identidade de Itaberaba. O que começou como uma grande obra para enfrentar os efeitos da estiagem se tornou, ao longo de mais de nove décadas, um espaço associado à história, à pesca, ao lazer e à memória dos moradores.
Jornal da Chapada

