Uma fêmea de teiú, chamada Zuri, viralizou nas redes sociais após aparecer de forma dócil e se aproximar dos tutores em busca de interação, em Praia Grande, no litoral de São Paulo. O vídeo ultrapassou seis milhões de visualizações e chamou a atenção dos internautas pela maneira como o réptil se comporta, semelhante à de um animal doméstico pedindo carinho.
O registro foi feito por Alonso Farias da Silva, tutor de Zuri, que tem aproximadamente 1 ano e 9 meses. Segundo ele, o animal foi adquirido há cerca de nove meses em um criadouro autorizado. Silva contou que se surpreendeu com a adaptação da teiú desde que a levou para casa. Ele já havia criado outros animais silvestres, como cobras e iguanas, e afirma que o comportamento mostrado no vídeo é natural da espécie.
Na residência, Zuri vive em um recinto preparado para atender às necessidades do animal. O espaço possui lago com cascata, água aquecida e lâmpadas UVB para auxiliar no controle da temperatura.
A explicação para a aproximação, no entanto, pode estar menos relacionada a uma demonstração de afeto e mais à fisiologia do réptil. Segundo o biólogo Daniel Bortone, os teiús são animais ectotérmicos, ou seja, dependem de fontes externas de calor para regular a temperatura corporal. Dessa forma, a proximidade com seres humanos pode estar relacionada à busca por uma fonte de calor.
O especialista também explicou que a espécie pode apresentar comportamento mais dócil quando está habituada à presença humana. Ainda assim, o teiú continua sendo um animal silvestre e pode reagir de maneira defensiva em situações de estresse.
“Por ser um animal silvestre e não doméstico, existe o risco dele morder em uma situação de estresse. Por mais acostumado que ele seja, esse risco existe”, afirmou Bortone.
A criação também exige cuidados específicos. O biólogo destacou a necessidade de alimentação variada e adequada, abrigo e acesso ao sol ou a equipamentos próprios para fornecer a iluminação necessária.
A manutenção de animais da fauna silvestre em cativeiro depende de regras ambientais e da origem legal do espécime. O Ibama informa que o SisFauna é utilizado para controlar e autorizar atividades relacionadas ao uso e manejo de fauna silvestre em cativeiro. A regulamentação prevê a existência de criadouros comerciais autorizados e estabelece exigências para a comercialização e manutenção desses animais.
No caso de animais silvestres adquiridos legalmente como pets, a legislação também prevê documentação que comprove a origem regular do animal. O Ibama determina que a comercialização de animais vivos da fauna silvestre seja feita por empreendimentos autorizados e acompanhada da documentação exigida.
Apesar da repercussão nas redes sociais e da aparência de um animal doméstico, especialistas reforçam que o comportamento de Zuri não muda a natureza silvestre da espécie. A adaptação ao contato humano exige manejo adequado, estrutura compatível e responsabilidade por parte dos tutores. Com informações do g1.


