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#Chapada: Escritora de Jacobina leva ancestralidade, cultura baiana e referências da região chapadeira para a literatura infantil

Maria Izabel ressignifica contos de fadas ao levar a cultura da Chapada Diamantina para a literatura infantil | FOTO: Reprodução |

Entre serras, sabores, personagens e memórias, a Chapada Diamantina também pode ser apresentada às crianças pelas páginas de um livro. É a partir dessa perspectiva que a escritora Maria Izabel Nascimento Muller constrói parte de sua produção literária, recriando histórias conhecidas e inserindo nelas elementos da cultura baiana, do cotidiano sertanejo e da ancestralidade negra.

Natural de Jacobina, a autora vive há 25 anos na Suíça e mantém ligação com Salvador. Aos 77 anos, Maria Izabel está próxima de completar nove anos do lançamento de seu primeiro livro e trabalha na revisão final de sua quinta obra. Ao longo desse percurso, desenvolveu uma literatura voltada à infância que busca combinar imaginação, brincadeira e referências culturais próximas da realidade dos leitores.

Uma Chapada que cabe no imaginário infantil
Nas histórias de Maria Izabel, os cenários tradicionais dos contos de fadas dão lugar a paisagens e personagens que fazem parte do universo baiano. Castelos europeus podem ser substituídos pelas montanhas da Chapada Diamantina, enquanto figuras inspiradas na cultura local aparecem como protagonistas de narrativas que preservam o aspecto fantástico sem afastar as crianças de suas próprias referências.

A proposta também passa pelo uso do lúdico como caminho para apresentar cultura e identidade. Ao aproximar elementos como o acarajé, o Sertão, as serras e os costumes baianos das histórias infantis, a escritora cria uma narrativa em que a criança pode reconhecer lugares, sabores, modos de vida e personagens presentes em seu próprio território.

Maria Izabel recria o universo dos contos infantis a partir das paisagens, sabores e personagens da Bahia | FOTO: Reprodução |

“É urgente que possamos colocar no centro histórias que tenham o cheiro do tempero baiano, trocando cenários distantes por narrativas que trazem nossa potência, a grandiosidade da Chapada Diamantina e o orgulho da nossa ancestralidade”, opina Maria Izabel.

A produção da escritora inclui Os contos de fadas na realidade afro-baiana, lançado em 2017, Inventando e contando baianidades, de 2022, Inventando e contando baianidades entre a Bahia e Basel na Suíça, publicado em 2023, e Cinderela Sertaneja, de 2025. As obras partem de referências conhecidas pelas crianças para apresentar outras possibilidades de leitura, conectadas à cultura e à experiência brasileira.

Literatura como descoberta e pertencimento
Para Maria Izabel, esse contato com referências próximas pode ajudar a transformar a leitura em uma experiência de identificação. Em vez de apenas acompanhar uma aventura, a criança encontra nas páginas elementos que fazem parte de sua memória cultural e passa a perceber que sua própria realidade também pode ocupar o espaço da fantasia.

“As crianças precisam se reconhecer nas histórias que leem. Quando trocamos os cenários distantes por uma narrativa que traz o sabor do acarajé, a grandiosidade dos morros da Chapada, o Sertão e os afetos da nossa terra, estamos dizendo a elas que a sua realidade também é mágica e digna de ser contada”, destaca a autora.

Com uma trajetória marcada pela pesquisa, pela educação e pela literatura, Maria Izabel utiliza as experiências vividas entre Bahia e Suíça para construir narrativas afro-centradas e afetivas. Seu trabalho também dialoga com a valorização da cultura negra e com a proposta da Lei 10.639/03, levando para o universo infantil personagens, referências e perspectivas que ampliam as possibilidades de representação na literatura. Jornal da Chapada com informações do portal Jornal O Candeeiro.

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