Ícone do site Jornal da Chapada

#Economia: Presidente da Brazil Iron avalia como a descarbonização pode redefinir custos e competitividade no mercado global do aço

Guy Saxton apontou oportunidades para o Brasil no mercado internacional de ferro verde | FOTO: Montagem do JC |

O presidente da Brazil Iron, Guy Saxton, destacou o potencial do Brasil para ampliar sua participação no mercado de ferro de baixo carbono em artigo publicado pela CNN Brasil. No texto, o executivo analisa como as novas exigências ambientais estão transformando a indústria siderúrgica mundial e criando oportunidades para países capazes de produzir matérias-primas com menos emissões.

Segundo Saxton, a descarbonização da siderurgia deixou de ser apenas uma preocupação ambiental e passou a influenciar os custos de produção e o acesso aos mercados internacionais. Com regras mais rigorosas, empresas que utilizam processos mais poluentes podem enfrentar tarifas e outras barreiras comerciais.

“Cada vez mais, as emissões vão pesar no acesso aos mercados”, afirma o executivo. Ele cita medidas adotadas pela União Europeia, pelos Estados Unidos e pelo Japão como exemplos de uma mudança nas políticas comerciais e industriais, que passam a considerar o impacto climático dos produtos.

Projeto da Brazil Iron aposta no ferro verde para impulsionar uma nova fase da produção de aço de baixo carbono | FOTO: Reprodução |

Indústria busca alternativas para reduzir emissões
O presidente da Brazil Iron também aborda os desafios para substituir métodos convencionais de produção, ainda dependentes do carvão. A instalação de fornos elétricos a arco pode reduzir as emissões, mas exige investimentos elevados e o fornecimento de matérias-primas adequadas.

“A produção de aço é responsável por cerca de 8% das emissões globais de gases com efeito de estufa”, destaca Saxton. O dado ajuda a dimensionar a pressão sobre um setor que precisa reduzir sua pegada de carbono sem perder competitividade.

Nesse processo, a sucata metálica terá papel importante, mas não deverá atender sozinha à demanda mundial por ferro primário. Por isso, o executivo aponta o ferro de redução direta (DRI) e o ferro briquetado a quente (HBI) como materiais relevantes para abastecer os fornos e ampliar as alternativas de produção com menor intensidade de carbono.

“O Brasil está bem posicionado para competir”, avalia Saxton. Na análise, o país reúne condições favoráveis devido à disponibilidade de minério de ferro de alta qualidade e ao potencial de geração de energia renovável, fatores que podem contribuir para a produção de insumos destinados a siderúrgicas de diferentes mercados.

Guy Saxton ressaltou a importância da redução das emissões de carbono para o avanço da indústria siderúrgica sustentável | FOTO: Montagem do JC |

Projeto em Piatã acompanha novas demandas do mercado
É nesse cenário que se insere o projeto da Brazil Iron previsto para Piatã, na Chapada Diamantina, com investimento anunciado de US$ 5,7 bilhões.

A iniciativa busca combinar tecnologia de processamento mineral e soluções sustentáveis para a produção de ferro verde, com potencial de inserir a Bahia em uma cadeia internacional que demanda matérias-primas com menor pegada de carbono.

O artigo também menciona uma avaliação da Bureau Veritas que projeta, para um dos projetos brasileiros em desenvolvimento, um fator de carbono de aproximadamente 0,14 tonelada de CO₂ equivalente por tonelada de HBI em 2034.

“Dados avaliados de forma independente como esses serão cada vez mais importantes”, escreve Saxton, ao ressaltar a relevância da verificação técnica para empresas, investidores e órgãos reguladores.

Para o executivo, a aproximação entre Brasil e Europa pode favorecer a transição. Enquanto o Brasil tem potencial para produzir ferro com menor intensidade de carbono, os países europeus contam com uma indústria siderúrgica consolidada e setores automotivo e de engenharia interessados em materiais com desempenho ambiental comprovado.

“Com HBI importado, os FEAs europeus poderiam aproveitar essa combinação”, afirma Saxton.

A avaliação aponta que o fornecimento de ferro de baixo carbono pode criar oportunidades comerciais para o Brasil, enquanto projetos como o previsto para Piatã buscam espaço em um mercado cada vez mais atento às emissões e à sustentabilidade da produção industrial. Jornal da Chapada com informações do portal CNN Brasil.

Sair da versão mobile