O Ministério Público do Trabalho (MPT) pediu nesta sexta-feira (23) que a Justiça do Trabalho suspenda o uso de camisetas com o número 22 por funcionários da rede de supermercados Rede Mix, na Bahia, diante de suspeitas de assédio eleitoral durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. A ação cautelar foi ajuizada contra a empresa RMIX Comércio de Gêneros Alimentícios Ltda. após denúncias de possível constrangimento dos trabalhadores.
O caso ganhou repercussão depois que os artistas João Cavalcanti e Marcelo Caldi publicaram, na quinta-feira (22), um vídeo nas redes sociais questionando o uso das camisetas às vésperas da votação. Nas imagens, os funcionários aparecem usando peças com o número 22 em destaque, em uma campanha comemorativa dos 22 anos da empresa.
No vídeo, os artistas afirmam que a escolha do numeral chamou a atenção por ocorrer durante o período eleitoral. Eles ponderam, porém, que não têm informações suficientes para afirmar que houve intenção política por parte da empresa. A dupla também levanta a possibilidade de constrangimento dos funcionários, caso o uso das camisetas seja obrigatório.
Segundo a procuradora do trabalho Manuella Gedeon, responsável pela ação, o procedimento foi aberto após denúncias de que empregados estariam sendo obrigados a utilizar as peças durante o expediente. O MPT também afirma ter recebido relatos acompanhados de fotografias sobre a permanência dos uniformes em uso.
O órgão informa que já havia encaminhado à Rede Mix a Recomendação nº 200921.2026, orientando a interrupção de práticas que pudessem configurar assédio eleitoral e a revisão de campanhas promocionais com referências passíveis de interpretação política. Mesmo após a entrega do documento, novas denúncias apontaram a continuidade do uso das camisetas.
De acordo com o MPT, uma fiscalização realizada por servidores da área de segurança institucional constatou que trabalhadores ainda vestiam peças com o numeral. Para o órgão, a situação pode comprometer direitos como a liberdade de consciência, a convicção política e o exercício livre e secreto do voto.
A coincidência entre o número estampado nas camisetas e o associado a um dos candidatos à Presidência motivou o questionamento sobre possível associação da campanha comercial a uma candidatura. A suspeita, contudo, ainda será analisada pela Justiça e não representa uma condenação da empresa.
O que o MPT pede à Justiça
Na ação, o Ministério Público solicita a suspensão imediata dos uniformes relacionados à campanha de aniversário e a substituição das camisetas por roupas neutras até o encerramento do período eleitoral. Também pede que a empresa divulgue um comunicado interno assegurando aos funcionários a liberdade de orientação política e o direito ao voto livre e secreto.
O órgão requer ainda multa diária de pelo menos R$ 50 mil por obrigação descumprida, caso as medidas sejam determinadas pela Justiça. Outro pedido é que a rede garanta tempo suficiente para que os trabalhadores escalados no dia da votação possam comparecer às urnas.
O MPT informou que pretende ajuizar posteriormente uma ação civil pública para discutir o mérito do caso e eventual indenização por danos morais coletivos, caso as irregularidades sejam confirmadas durante a apuração. As informações são do Bahia Noticias.

