O senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciou nesta segunda-feira (26) que vai pedir a cassação da chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito neste domingo (25), por abuso de poder econômico e político. O anúncio marca uma inflexão na estratégia de Flávio, que vinha defendendo a anulação do segundo turno devido à extensão da votação por duas horas.
Em vídeo, Flávio disse que recorrerá à Justiça Eleitoral porque, em sua visão, a disputa foi desequilibrada por medidas anunciadas pelo governo federal. O senador acusou Lula de “compra de votos”, sem apresentar provas das irregularidades.
“Vou pedir, sim, a cassação da chapa do Lula por todos os abusos que ele cometeu. A lei tem que valer para todo mundo. A competição tem que ser justa e igual, o que não aconteceu. O Lula injetou quase meio trilhão de reais de dinheiro público para fazer a maior compra de votos da história das eleições no Brasil. Essa é a maior prova que a reeleição têm que acabar”, disse, listando iniciativas como o Bolsa Família e o perdão das dívidas de MEIs.
Cerca de meia hora depois da declaração de Flávio, o seu partido, liderado por Valdemar da Costa Neto, publicou uma nota com críticas duras ao cenário do segundo turno, “marcado por medidas fortemente eleitoreiras, com impacto econômico e social”.
O comunicado não diz se o PL recorrerá judicialmente ao processo eleitoral, mas afirma que o uso de gastos públicos com benefícios sociais “levanta questionamentos sobre os efeitos dessas medidas em um processo eleitoral justo”.
No mesmo vídeo, Flávio comentou a intimação da PF para que entregue seus passaportes comum e diplomático, o que o impediria de deixar o país.
Conforme Flávio, a decisão, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem como base uma declaração do irmão Eduardo Bolsonaro aconselhando o senador a deixar o Brasil caso perdesse as eleições.
“Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar, mas ninguém vai me calar”, disse Flávio no vídeo.
A decisão de Moraes também impede Flávio de manter contato com o advogado Willer Tomaz. O ministro é relator de processo no qual o senador e o advogado são investigados por lavagem de dinheiro. Investigação da PF aponta que ambos dividiam uma conta bancária, o que eles negam.
No vídeo, Flávio acusou a corporação de estar agindo politicamente depois do resultado que consagrou a quarta vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno de virada. Flávio disse na noite de domingo que iria pedir a anulação das eleições, mas não repetiu o tema no vídeo e agora tentará a cassação da chapa de Lula por abuso de poder econômico e político.
“Pensa comigo: se eu tivesse ganhado as eleições, ia acontecer a mesma coisa? Flávio Bolsonaro eleito, essa PF ia tá do mesmo jeito, me intimando no meio da rua? Isso é um sinal que a nossa democracia faliu. Foi uma decisão tomada conforme o resultado da eleição, uma questão política. Não pode ser assim”. Jornal da Chapada com informações do SBT News.

