A UniCesumar aplicou punições a estudantes do curso de Medicina envolvidos em mensagens discriminatórias contra colegas bolsistas, em 30 de outubro, no campus de Maringá, no norte do Paraná. A decisão foi tomada após uma sindicância interna que apurou ataques relacionados à condição socioeconômica dos alunos e publicações com referências ao nazismo em grupos de mensagens, após o resultado das eleições presidenciais de 2026.
As conversas foram compartilhadas em um grupo de WhatsApp da turma no domingo (25). Entre os comentários denunciados, estudantes que pagam mensalidades foram colocados em posição de superioridade em relação aos colegas que ingressaram na universidade por meio de programas de acesso ao ensino superior, como o Programa Universidade para Todos (ProUni).
Em uma das mensagens, um participante escreveu que quem paga a mensalidade teria trabalhado para conseguir esse recurso, em comparação com quem entrou por meio de uma seleção. Outros conteúdos também foram apontados como ofensivos e discriminatórios. O material divulgado incluía imagens e expressões associadas ao nazismo.
A repercussão começou depois que registros das conversas foram compartilhados e denunciados. Uma estudante contestou as manifestações no próprio grupo e lembrou que todos os acadêmicos terão a mesma formação profissional, independentemente da condição financeira ou da forma de ingresso na instituição.
Universidade confirma desligamentos e outras punições
Em comunicado, a UniCesumar informou que concluiu a sindicância interna em 30 de outubro. A comissão responsável recomendou medidas disciplinares, que foram aprovadas pela reitoria, conforme o regimento da instituição.
As punições incluem desligamentos do quadro discente, suspensões e advertências, aplicadas de acordo com a gravidade das condutas apuradas. A universidade não divulgou quantos estudantes receberam cada tipo de sanção nem os nomes dos envolvidos.
A instituição declarou que repudia qualquer forma de discriminação ou preconceito e reafirmou o compromisso com a ética, a responsabilidade e o respeito à vida. Também informou que o Núcleo de Apoio ao Estudante de Medicina (NAEME) permanece disponível para oferecer acolhimento, orientação e suporte aos acadêmicos.

MPF recebeu denúncia e CRM-PR se manifestou
O Ministério Público Federal (MPF) confirmou o recebimento de uma representação relacionada às mensagens. O caso foi autuado e estava em fase de análise, conforme informação divulgada pelo órgão à imprensa.
O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) também se posicionou sobre as denúncias. Em nota, afirmou que as atitudes relatadas contrariam os princípios do Código de Ética do Estudante de Medicina, que prevê o exercício das atividades acadêmicas sem discriminação de qualquer natureza.
O conselho ressaltou que a formação médica exige compromisso com valores humanísticos e com a promoção do bem-estar das pessoas e da coletividade. A entidade informou ainda que acompanhará os desdobramentos e adotará as providências cabíveis dentro de suas atribuições.
Um estudante ouvido pela imprensa relatou que o episódio provocou um ambiente de hostilidade na universidade e nos grupos de mensagens. Segundo ele, as manifestações ultrapassaram divergências políticas e atingiram colegas por sua condição econômica.
A UniCesumar não informou se haverá novas medidas disciplinares relacionadas ao caso. Com informações do G1.


