Chapada: Parque Rota das Cachoeiras em Andaraí está ameaçado sem gestão administrativa

foto

De acordo com informações, áreas que compõem a unidade de conservação, em sua maioria devolutas, estão sendo negociadas, ‘usocapiadas’ ou ocupadas por particulares | FOTO: Divulgação/Cifa |

Um dos maiores legados do governo de Wilson Cardoso (PSB) em Andaraí às comunidades da Chapada Diamantina, o Parque Rota das Cachoeiras, criado no último ano de sua gestão e considerado o maior parque municipal do Brasil, com quase 10 mil hectares de extensão, passa por maus bocados. Completamente abandonado, o parque não dispõe de acesso, vigilância, planos ou programas administrativos, nem mesmo o georreferênciamento da área foi iniciado. Para piorar a situação, áreas que compõem a unidade de conservação, em sua maioria devolutas, estão sendo negociadas, ‘usocapiadas’ ou ocupadas por particulares.

Porções da unidade de conservação estão sendo delineadas por particulares, que traçam poligonais, instalam cercas e abrem picadas, fatiando a área em pequenas glebas. Para o presidente dos Combatentes a Incêndios Florestais de Andaraí (Cifa), Homero Vieira, deixar o parque nas condições atuais é, no mínimo, falta de conhecimento da importância da referida unidade que além de tudo comporta várias nascentes. Para exemplificar, lembrou que “se surgir um foco de incêndio nas proximidades da Cachoeira do Herculano ou Pedra do Camelo [atrativos situados no parque], é impossível chegar ao local em um dia, já que as trilhas estão completamente inacessíveis”.

Com cerca de 10 mil hectares, o local é considerado o maior parque natural municipal do Brasil, aliando ecologia, cultura e história. São mais de sete cachoeiras e belos saltos, uma infinidade de espécies da fauna e da flora, rios, córregos, riachos e incontáveis nascentes, campos rupestres, matas, campos de sempre-vivas, formações rochosas, sítios arqueológicos com enormes variedades de artes rupestres.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Já para os membros da Associação de Condutores de Visitantes de Andaraí (ACVA), a solução está longe de aparecer. Preocupados com a situação do município em face ao turismo e ao meio ambiente, segmentos desses setores reuniram-se com o gestor municipal e o secretário de meio e turismo de Andaraí para apresentar um programa para os setores, todavia, alegaram “que foram completamente ignorados e que nenhuma propositura deles foi acolhida pelos gestores”.

Pontos importantes para alavancar o turismo local foram debatidos no encontro, como instituição do conselho deliberativo do Parque Rota das Cachoeiras, preservação do patrimônio arquitetônico e paisagístico, sinalização turística, instalação do Centro Turístico-Ambiental do Vale do Paty, criação de agência de desenvolvimento do turismo, qualidade das conexões de transporte rodoviário, plano diretor de desenvolvimento urbano, implantação do parque rota das cachoeiras, preservação das trilhas garimpeiras, dentre outros.

Como contraproposta o secretário propôs um projeto de artificialização do Balneário do Paraguaçu, com a construção de quiosques, criação da logo da Secretaria de Meio Ambiente e Turismo e eventos pontuais e nada sustentáveis, como ‘Peneira do Vitória, Festival Gastronômico, Flian, Cavalgada’, o que foi lamentado pelos membros da ACVA.

Ainda sem identidade econômica, apesar do empenho da gestão de Wilson Cardoso, Andaraí é um município muito vulnerável socialmente, como os demais que integram o semiárido baiano. Para Vieira, “o Parque Rota das Cachoeiras possui um bioma diversificado e precisa urgentemente de ações que visem a conservação do seu patrimônio, garantindo o uso sustentável e promovendo um turismo ecológico de qualidade na região”. Jornal da Chapada com informações de assessoria.

Sobre o Autor

| Bem vindo ao espaço virtual do JORNAL DA CHAPADA |

Deixe Uma Resposta

Você deve ser logando em para postar um comentário.