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#Turismo: Parque em Goiás chama atenção de turistas por suas grutas e formações geológicas

Na divisa com a Bahia, maior complexo espeleológico do mundo atrai estudiosos, turistas e aventureiros.

Já pensou nadar em um rio dentro de um ambiente totalmente fechado, na escuridão, com pedras, morcegos e insetos por todo lado? Essa é uma das opções de um roteiro muito famoso do país, que fica pertinho do oeste baiano: o Parque Estadual de Terra Ronca, localizado nos municípios de São Domingos e Guarani, ambos em Goiás, um dos encantos do Planalto Central brasileiro.

Ninguém entra em uma dessas cavernas, que começaram a se formar há mais de 600 milhões de anos, sozinho. Em Terra Ronca, a presença do guia na prática do ecoturismo é tão indispensável quanto usar um tênis que seja bom o suficiente para não furar ou descolar a sola, capaz de aguentar as caminhadas nas pedras, mas velho, porque vai ficar todo molhado.

Confira vídeo divulgado

Na divisa com a Bahia, maior complexo espeleológico do mundo atrai estudiosos, turistas e aventureiros. Os equipamentos de segurança são obrigatórios para a aventura dentro das cavernas, entre eles capacete e lanterna, além de carregar itens de primeiros socorros e outros apetrechos, como baterias extras. A maioria dos guias credenciados conduz o visitante a apenas cinco cavernas: Angélica, Terra Ronca 1, Terra Ronca 2, São Mateus e São Bernardo. Mas há pelo menos um mais experiente que topa levar a outras que exigem mais técnica, preparo físico e psicológico.

Talvez a imagem mais conhecida do parque no Brasil e no mundo seja o acesso à caverna Terra Ronca I, com seus quase 100 metros de altura por 120 de largura. É uma imagem impressionante, parecendo uma enorme boca desejosa por engolir quem estiver por perto. Antes de ser engolido, o visitante passa por um altar onde todo ano, no início de agosto, é celebrada a festa de Bom Jesus da Lapa, quando um batalhão de romeiros invade São João Evangelista e achar uma pousada com vaga vira uma missão de fé.

Por alguns metros, o acesso à Terra Ronca 1 é iluminado naturalmente, em função da boca enorme da caverna | FOTO: João Paulo Melo |

Se você tiver fôlego para uma caminhada de 10 quilômetros (ida e volta) em um programa que dura quase dia inteiro (por isso é preciso levar lanche, água e repelente), o bacana é percorrer os salões de Terra Ronca 1 e 2, começando pela primeira. Logo no início, você tem a sensação de estar em outro planeta, graças à luz que entra pela enorme “boca” de Terra Ronca 1, iluminando e dando uma coloração surreal ao primeiro trecho da caverna.

Depois, a escuridão vai tomando conta, restando apenas a luz artificial das lanternas, que dão formas e cores aos demais salões e espeleotemas (conjunto de esculturas naturais que não devem ser tocadas, a exemplo das estalactites, que levam milhares de anos para se formar a partir do cálcio arrastado pela água que goteja do teto). Boa parte da caminhada é por dentro do Rio da Lapa, e, havendo sorte, é possível ver um ou dois bagres cegos e albinos – já para se deparar com morcegos não precisa de sorte alguma.

Confira outro vídeo divulgado

Travessia a nado
Após sair de Terra Ronca 1, um alerta. Tome cuidado com os macacos que ficam na parte alta do barranco, já que eles costumam atirar pedras nos transeuntes que caminham em direção à segunda caverna. Há ainda outros obstáculos nesse trecho, como a necessidade de escalar para subir em algumas pedras, mas nada complicado. No final vale a muito a pena, como quase todo esforço feito na prática do ecoturismo em Goiás.

Logo no início da Terra Ronca 2 está o único trecho no qual é preciso nadar no rio, já no breu da caverna. Uma corda auxilia os aventureiros. São cerca de três metros de travessia a nado e, com a ajuda do guia, a tarefa é fácil. A correnteza é bem fraca nessa parte, e o banho ajuda a amenizar o calor. Um dos salões mais bonitos é o Buraco das Araras, que tem uma abertura no teto que permite a entrada de um grande feixe de luz que ilumina o ambiente e rende uma fotografia memorável.

No alto da “boca” da Terra Ronca 1, as araras encantam os visitantes | FOTO: Alexandre Reis |

Há ainda o Salão dos Namorados, que tem este nome em função de duas pedras que lembram um casal apaixonado. Sim, os espeleotemas, alguns gigantescos, parecem desde torres de catedrais a flores e partes do corpo humano, a depender da imaginação de cada um. Na volta, que é mais lenta, pois se caminha contra a correnteza do rio, não deixe de subir até o topo da “boca” da Terra Ronca 1 e conferir o pôr do sol acompanhado dos rasantes das araras vermelhas.
Vale frisar que as duas cavernas eram uma só até que, há alguns milhares de anos, houve um desmoronamento que as dividiu. Algumas das pedras enormes que formavam o teto dessa única caverna estão no percurso.

Angélica, São Mateus e São Bernardo
A Angélica é uma caverna de rápida visitação (reserve no máximo até três horas para esse atrativo). O roteiro turístico envolve cerca de 2,5 quilômetros de caminhada (ida e volta), apesar da caverna ter 14 quilômetros de extensão. Fica a 25 quilômetros da sede do povoado de São João Evangelista e é o único atrativo do parque no qual é cobrada uma taxa de entrada, no valor de R$5.

O Salão dos Espelhos é sem dúvida o mais bonito. A água no piso da caverna reflete o teto quando se joga luz artificial no ambiente, oferecendo um cenário ao mesmo tempo deslumbrante e assustador. Se você estiver com um bom guia, ele vai posicionar lanternas em locais estratégicos para que as suas fotos e vídeos fiquem legais, embora não cheguem nem perto dos registros feitos por profissionais com equipamentos adequados. Apesar desse salão conter água limpa de nascente, na Angélica não é preciso molhar o tênis.

São Bernardo e São Mateus são as duas outras cavernas que os guias costumam levar e que são regularmente abertas dentro do parque. A primeira, que dá para visitar em meio período, tem como destaque o Salão das Pérolas. A segunda, que possui no total 25 quilômetros de extensão, tem acesso mais complicado, exige maior esforço físico e cuidado na caminhada, pois contém abismo e trechos escorregadios.

As cavernas em Terra Ronca possuem enormes salões com inúmeras formações | FOTO: Alexandre Reis |

Quando visitar e que guia chamar
Assim como a Chapada dos Veadeiros, outro paraíso de Goiás, Terra Ronca também possui apenas duas estações bem definidas ao longo do ano: a seca e a molhada (chuva). O período mais seco é de abril ao início de outubro. Nas chuvas, apenas a caverna Angélica fica aberta para visitação. Mais fique ligado porque em feriados no período seco as pousadas costumam ficar lotadas em São João Evangelista, e também é difícil encontrar guia disponível. Os guias cobram R$150 por atração para grupos de até quatro pessoas (acima disso o valor é R$25 por indivíduo).

Como chegar e onde ficar?
O povoado de São João Evangelista, que pertence ao município de São Domingos e tem duas cachoeiras, é o melhor lugar para se hospedar, pois fica próximo do acesso às principais atrações do Parque Estadual de Terra Ronca. Saindo de Salvador, são 1,2 mil quilômetros de asfalto até São Domingos e mais 40 de estrada de barro repleta de buracos, desníveis, “costelas de vaca” e pedras para o término da jornada no povoado. Um automóvel mais alto, do tipo utilitário, garante menos desconforto nesse trecho, mas também é possível chegar com veículo de passeio, desde de com cautela.

A primeira rodovia estadual goiana do caminho é a GO-463. Ela é uma das saídas da BR-020 (há uma placa indicativa de Terra Ronca), pista federal que liga o oeste baiano à Brasília. Embora haja buracos, essa estrada estadual está razoavelmente boa, e conta com o visual prazeroso da Serra Geral de Goiás. Ao chegar a São Domingos, os 40 quilômetros de estrada ruim até São João Evangelista são feitos na GO-110 até o acesso ao parque, que é o mesmo do povoado (na esquerda do motorista).

O Buraco das Araras é um dos salões prediletos de Terra Ronca 2 | FOTO: Alexandre Reis |

Vale lembrar que o turista baiano que parte de Salvador com destino à Terra Ronca tem sempre a opção de fazer parte da viagem de avião (até Barreiras ou Brasília) e alugar um carro em uma dessas duas cidades. Se o trajeto de automóvel começar em Brasília, numa viagem de 400 quilômetros, é só pegar a mesma BR-020, na direção da Bahia – nesse caso, vale a pena uma parada na cidade de Formosa ou Mambaí, as duas em Goiás, para conhecer algumas cachoeiras incríveis.

Nesse itinerário, se passa em Guarani de Goiás antes de chegar à São João Evangelista. Outra informação importante é que em São João Evangelista não tem posto de gasolina. Então, é bom se programar para abastecer no caminho. O povoado, que possui cerca de 200 habitantes, também não tem restaurante ou mesmo mercado. Por isso, as pousadas oferecem, além do café da manhã, almoço e jantar. Jornal da Chapada com informações do site iBahia.

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