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#Chapada: Municípios da região criam alternativas para manter vínculo com alunos durante pandemia

Opções foram criadas por educadores, visando contemplar quem não obtém acesso de qualidade à internet.

Alguns alunos dos municípios da Chapada Diamantina enfrentam a dificuldade de assistir as aulas remotas, visto que muitos não possuem celular, assim como o computador é um item raro. As aulas presenciais foram suspensas em 18 de março de 2020, por determinação do governo estadual, para evitar a propagação da pandemia de covid-19.

No povoado de Wagner, por exemplo, a internet é algo novo, ela chegou apenas em 2016 e o seu sinal possui bastante oscilação. A cidade está entre as 24 que integram o território da Chapada Diamantina, caracterizado, entre outros aspectos, por possuir uma vasta zona rural, habitada por agricultores com baixo acesso a meios tecnológicos de comunicação.

As escolas públicas da Chapada Diamantina passaram a obter dificuldades com essa substituição do ensino presencial pelo online. Todo o reconhecimento dessas dificuldades levou a professora Cybele Amado a criar, em 1997, um programa que oportunizava formação continuada a seus colegas da rede municipal.

Os primeiros resultados, como a redução de 20% no índice de repetência, atraíram o interesse dos gestores públicos de cidades vizinhas. E após dois anos, os secretários de educação de 12 municípios começaram a escrever, juntos, um projeto de qualificação da educação batizado como Projeto Chapada e, em 2006, rebatizado como Instituto Chapada de Educação e Pesquisa (Icep).

O Icep deu origem a uma rede colaborativa, no qual envolve organizações sociais e privadas, além das secretarias de educação dos municípios. Em 2012, o Conselho Nacional de Educação regulamentou esse modelo com o nome de Arranjo de Desenvolvimento da Educação (ADE). Existem hoje no país pelo menos 14 ADEs ativos no Nordeste, Sudeste e Sul.

Desde 1997, a capacitação dos profissionais da educação é uma prioridade no ADE Chapada, que atualmente integra 21 municípios, inclusive Wagner. O Icep fica responsável de liderar as formações pedagógicas nessa rede, em encontros realizados programaticamente.

Um dos indicadores que sugere o avanço na aprendizagem dos estudantes é o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). De 2005 a 2019, as escolas do arranjo da Chapada saíram de uma média de 2,8 para 5,7 no Ideb. Isso nos anos iniciais do fundamental (do 1º ao 5º), segmento para o qual o Ministério da Educação estipulou a pontuação 6 como meta a ser atingida até este ano de 2021. A escala do Ideb vai de 0 a 10, e a pontuação 6 corresponde ao nível médio de desempenho nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Com o desafio de exercer a educação à distância, nenhum dos 21 municípios do ADE Chapada deixaram de oferecer atividades aos alunos isolados em suas casas. Com a dificuldade de acesso à internet, outros meios de comunicação se fizeram presentes, como: informes em carros de som, rádio e até cartas escritas à mão.

Com a necessidade de refazer o planejamento das atividades escolares, Adriana Gonçalves, diretora pedagógica da rede municipal de Marcionílio Souza, na Chapada Diamantina, criou o ‘A voz da cidade em tempos de pandemia”, programa de literatura pela rádio, no qual duas vezes na semana por cerca de 20 minutos, contos infanto-juvenis, textos reflexivos e bate-papo com autores regionais chegam a toda a cidade pelos alto-falantes instalados nos postes de luz. Já nas áreas rurais, só acessa quem tem internet.

Em Seabra também teve programação educativa de rádio, com foco nos pequenos não alfabetizados. O programa “Bom é ser Criança” conduzem os quadros de curiosidades, literatura, música e dicas para as famílias. O programa está no ar em quatro estações, uma na sede e três nas comunidades rurais.

Em Lagoa da Boa Vista, a 18km de Seabra, o sinal de rádio não alcança. No entanto, os alunos sabem o dia da semana em que o áudio chega ao celular de um familiar.

No município de Wagner, a alternativa de atividades impressas foi uma opção. Com isso, os responsáveis pelos estudantes tinham que buscar as atividades impressas na escola ou, em alguns casos, o material era entregue nas casas. A cada quinzena, novas tarefas eram disponibilizadas, enquanto as anteriores deviam ser devolvidas para correção. Assim como, um roteiro diário de estudo acompanhava as apostilas.

Quem obtinha condições de acessar a plataforma Google Meet recebiam orientações. Mas quem não tinha bom acesso ao aplicativo, recebia orientações através do Whatsapp. No entanto, ainda sim tinham alunos que não tinham nenhuma das duas alternativas.

Com o intuito de manter a associação entre alunos e o ambiente escolar, alguns estudantes na comunidade de Brauninha, em Seabra, receberam cartas, escritas à mão, em folha de papel ofício branca, acompanhadas por uma história, sugestões de brincadeira e dicas para a família.

As alternativas, que não possuem uma data de possível final, foram o que aproximaram os alunos, que enfrentam a desigualdade social, com o ambiente escolar. Além disso, os educadores da Chapada Diamantina recriaram planos de ensino e opções visando manter a educação presente nos municípios. Jornal da Chapada com informações do Correio 24h.

Jornal da Chapada

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