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#Brasil: Seis em cada dez quilombolas vivem em área rural, revela Censo do IBGE

Levantamento mostra que condições no campo são piores do que nas cidades. Dados indicam 1,3 milhão de quilombolas no Brasil, sendo 820,9 mil vivendo no campo.

Estagiário 2 por Estagiário 2
10 maio 2025 - 08h28
no Assessoria, Cidades, Curiosidades, Menu Principal
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#Brasil: Seis em cada dez quilombolas vivem em área rural, revela Censo do IBGE

Levantamento mostra que condições no campo são piores que nas cidades | FOTO: Tomaz Silva/Agência Brasil |

Diferentemente da população brasileira como um todo, em que a maioria das pessoas vive em áreas urbanas, a população quilombola habita majoritariamente regiões rurais: de cada 10 quilombolas, seis vivem no campo. A constatação faz parte de mais um suplemento do Censo 2022, divulgado nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Do total de 203 milhões de brasileiros contabilizados pelo Censo 2022, apenas 12,6% moravam em áreas rurais. Já entre os 1,3 milhão de quilombolas, 61,71% viviam no campo – o que representa 820,9 mil pessoas. Pouco mais de 509 mil (38,29%) moravam nas cidades.
No Rio Grande do Sul, há 17.496 pessoas que se identificam como quilombolas. Destes, 43,43% vivem em áreas urbanas, enquanto 56,57% residem no campo.

O Censo 2022 é o primeiro em que o IBGE coleta informações específicas da população quilombola, de forma que não é possível fazer comparativos para saber se a proporção de quilombolas no campo tem aumentado, diminuído ou ficado estável ao longo do tempo.
Para classificar uma pessoa como quilombola, o IBGE levou em consideração a autoidentificação dos questionados, não importando a cor de pele declarada. Quilombolas são descendentes de habitantes dos quilombos, comunidades que resistiam à escravidão.

Vida no campo

A coordenadora do Censo de Povos e Comunidades Tradicionais, Marta Antunes, acrescenta que a presença maior dessa população em áreas rurais é um fator de raízes históricas.

— Tem a ver com o histórico da ocupação pela escravização e de como foi essa resistência organizada ao longo dos séculos — explica Marta.

Gerente de Territórios Tradicionais e Áreas Protegidas do IBGE, Fernando Damasco ressalta a identificação das comunidades quilombolas com a questão rural.

— Na própria constituição do movimento social quilombola, a própria vinculação identitária associada a comunidades de ancestralidade negra, associada à opressão histórica sofrida, está profundamente vinculada à área rural — pontua Fernando.

Regiões e estados

O Censo 2022 aponta que apenas dois Estados não registram localidade quilombola, seja rural ou urbana: Acre e Roraima. O IBGE também identificou que as regiões Norte e Nordeste apresentam proporção de quilombolas em áreas rurais superior à média nacional:

• Brasil: 61,71%
• Norte: 63,40%
• Nordeste: 65,01%
• Centro-Oeste: 31,96%
• Sudeste: 47,68%
• Sul: 45,62%

Entre os Estados, as maiores proporções são:

• Piauí: 87,87%
• Amazonas: 84,92%
• Maranhão: 79,74%

As unidades da federação com as menores proporções são:

• Distrito Federal: 2,95%
• Rondônia: 18,39%
• Goiás: 27,03%
• Rio de Janeiro: 27,28%

Territórios delimitados

O censo traz também dados de população quilombola que vive em território oficialmente delimitado. Nessas localidades reconhecidas, 87,97% vivem em área rural.

Fora dos territórios delimitados, 58,01% estão no campo.

População e alfabetização

O suplemento do Censo mostra que a população quilombola, seja em área rural ou urbana, é mais jovem que a população geral do país.
A mediana – número que separa a metade mais jovem da metade mais velha da população – do país é 35 anos. Já a dos quilombolas é de 31 anos, sendo 32 para os que vivem na cidade e 29 para os que moram no campo.

Assim como na média do país a taxa de analfabetismo no campo (18,16% da população) é maior que na cidade (5,44%), entre os quilombolas o padrão se repete: 22,71% na área rural e 13,28% na urbana.

Para chegar à taxa de analfabetismo, o instituto calculou a proporção de pessoas com 15 anos ou mais de idade que não sabem ler e escrever pelo menos um bilhete simples.

Moradia

Ao contar quantas pessoas moram nos domicílios, foi possível identificar que a média de moradores em lares com ao menos uma pessoa quilombola é maior que a da população brasileira.

No Brasil, a média é de 2,79 morador por lar, variando de 2,76 em área urbana a 2,99 em rural. Já entre os quilombolas, a média é de 3,17, sendo 3,07 na cidade e 3,25 no campo.

Os pesquisadores identificaram também que na população brasileira que vive no campo, 4,26% dos moradores não tinham banheiro nem sanitário.

Em se tratando de quilombolas que viviam em área rural, esse percentual subia para 6,36%. A situação era pior ainda para os moradores de áreas rurais especificamente dentro de territórios quilombolas delimitados, chegando a 7,03%.

Precariedade no saneamento

Os pesquisadores buscaram informações dos domicílios de acordo com as condições de abastecimento de água, destinação de esgoto e coleta de lixo.

Enquanto nas cidades brasileiras, 18,71% dos habitantes moram em domicílio com alguma forma de precariedade, essa proporção salta para 53,61% entre os quilombolas que vivem em áreas urbanas.

Já em relação à vida em área rural, a precariedade em domicílios atinge 87,20% da população brasileira e 94,62% dos quilombolas.

Foram considerados elementos de precariedade no saneamento: ausência de abastecimento de água canalizada até o domicílio proveniente de rede geral, poço, fonte, nascente ou mina; ou ausência de destinação do esgoto para rede geral, pluvial ou fossa séptica; ou ausência de coleta direta ou indireta por serviço de limpeza.

A pesquisa destaca que em relação ao acesso à água em áreas urbanas, a precariedade é quase quatro vezes maior entre a população quilombola (9,21%) que entre a população brasileira como um todo (2,72%). No campo essa diferença é 43,48% (quilombolas) contra 29,35% (média Brasil).

De acordo com a coordenadora Marta Antunes, diferenciar as condições de quilombolas entre áreas rurais e urbanas permite direcionar melhor políticas públicas para essas populações. As informações são do site Zero Hora.

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Tags: brasilIBGEQuilombolas
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