Uma polêmica envolvendo o senador Otto Alencar (PSD-BA) ganhou repercussão após a publicação de uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, que atribuiu ao parlamentar críticas duras à possibilidade de formação de uma chapa “puro-sangue” do Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia. Segundo o jornal, Otto teria classificado o cenário como “chapa carniça” e alertado para riscos eleitorais.
De acordo com a reportagem assinada pelo jornalista Daniel Weterman, Otto teria afirmado que uma chapa formada exclusivamente por nomes do PT poderia gerar problemas eleitorais, citando como exemplo a eleição de 2006, quando o carlismo foi derrotado por Jaques Wagner no governo do Estado. “Chapa carniça pode dar problema”, teria dito o senador, conforme o relato publicado.
Ainda segundo o Estadão, Otto Alencar também teria rejeitado propostas envolvendo o senador Ângelo Coronel (PSD-BA) em posição secundária na chapa majoritária, afirmando não aceitar a possibilidade de Diego Coronel como vice e criticando a ideia de empurrar Ângelo Coronel para a suplência no Senado. “Isso fere o amor próprio dele. É uma proposta que não deveria ter sido feita”, teria declarado.
Após a repercussão, Otto Alencar divulgou nota à imprensa nesta sexta-feira (16/01), na qual repudiou “veementemente” a reportagem e negou ter utilizado o termo “carniça” para se referir à chapa do PT na Bahia. Segundo o senador, em nenhum momento foram usadas expressões pejorativas contra adversários políticos.
Na nota, Otto afirmou que apenas relembrou, em entrevistas, que chapas denominadas “puro-sangue” historicamente não obtiveram êxito eleitoral, citando como exemplo a eleição de 2006 na Bahia, quando a chapa Paulo Souto/Eraldo Tinoco foi derrotada por Jaques Wagner. A assessoria reforçou que o senador mantém compromisso com um debate político respeitoso e responsável e rechaçou a distorção de suas declarações.
O tema ocorre em meio a discussões sobre a formação da chapa governista na Bahia. O PT defende lançar uma chapa com o governador Jerônimo Rodrigues à reeleição, Rui Costa para o Senado e Jaques Wagner buscando novo mandato. Aliado histórico do PT no Estado, o PSD reivindica uma das vagas ao Senado, uma vez que o mandato de Ângelo Coronel também se encerra.
Otto Alencar afirmou que o PSD permanecerá aliado ao PT, mas reiterou que o partido não aceita a exclusão de Ângelo Coronel da disputa ao Senado nem a oferta de suplência. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá ser acionado para mediar o conflito político na Bahia.
Após a publicação da reportagem, Otto afirmou que utilizou o termo “carlista”, e não “carniça”, e que não se referiu de forma pejorativa à chapa do PT no Estado.
Jornal da Chapada

