O Terreiro Nkongo Kadyambuka Junsara, localizado em Caeté-Açu, no Vale do Capão, município de Palmeiras, realiza no dia 7 de fevereiro, a partir das 13h, mais uma edição da Feijoada Cultural, com entrada gratuita. A ação acontece no próprio terreiro e reúne diferentes expressões culturais que dialogam com a ancestralidade, a espiritualidade e a valorização das tradições afro-brasileiras e afro-indígenas presentes na região.
A programação integra as ações do projeto Nkongo: o Caçador que retorna, contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc Bahia (Pnab), e propõe um espaço de celebração, convivência e fortalecimento da identidade cultural. Por meio da gastronomia, da música e da dança, o evento reafirma o papel dos terreiros como guardiões da memória coletiva e como espaços vivos de resistência cultural e social.
Realizada anualmente desde 2023, a Feijoada Cultural nasceu com o propósito de fortalecer as atividades do Terreiro e garantir a continuidade de suas ações. A iniciativa contribui diretamente para melhorias na estrutura do espaço, além de apoiar projetos voltados à saúde, ao cuidado físico e espiritual e ao fortalecimento dos laços comunitários, reafirmando o terreiro como um ponto de acolhimento e organização social.
Durante o evento, o público poderá saborear a feijoada preparada nas versões tradicional e vegetariana, comercializadas a preços populares, e acompanhar uma programação artística diversa. As atividades culturais reforçam a valorização das tradições, da memória ancestral e do bem viver, destacando a cultura como instrumento de resistência, aprendizado e transformação coletiva.
A programação musical reúne artistas que dialogam com diferentes linguagens e tradições da cultura afro-brasileira. Entre os destaques está a cantora, compositora e multi-instrumentista Géssica Moura, cuja trajetória passeia por ritmos como samba, rock e sonoridades populares, criando uma apresentação marcada pela diversidade e pela força autoral.
O evento também contará com a banda Yayá Massemba, grupo feminino formado na Chapada Diamantina que valoriza o samba de raiz e as tradições orais da Bahia, colocando o protagonismo das mulheres no centro da cena cultural. Outra atração é o projeto Irmãos no Couro Escola de Toques Afros, reconhecido pelo trabalho de preservação e transmissão de saberes ancestrais ligados ao samba de terreiro e às religiões de matriz africana.
Além da música, a programação se estende à dança e às artes visuais. A Cia de Dança Ominirá, sediada no Vale do Capão, apresentará um trabalho inspirado nas danças afro-diaspóricas, africanas e afro-brasileiras, conectando corpo, ancestralidade e natureza. O público também poderá visitar a Exposição Nkanda, que reúne registros fotográficos sobre a história e a memória do Nzo Nkongo Kadyambuka Junsara ao longo de quase uma década de atuação cultural e comunitária.

Raízes, formação e compromisso comunitário
Fundado em 2016, o Nzo Nkongo Kadyambuka Junsara é um terreiro de Candomblé da Nação Angola, conduzido pelo Taata Dya Nkisi Talambirê. O espaço se firmou ao longo dos anos como um local de acolhimento e preservação de saberes ancestrais, atuando também na formação espiritual, cultural e educativa de seus integrantes e da comunidade ao redor.
Com o objetivo de ampliar esse diálogo para além dos limites do terreiro, em 2021 foi criado o Coletivo Cultural Nkongo Kadyambuka. A iniciativa nasceu para promover ações culturais abertas ao público, fortalecendo a relação com a comunidade local por meio de oficinas, encontros formativos e eventos artísticos que valorizam a diversidade e a ancestralidade.
A Feijoada Cultural, uma das principais ações do coletivo, reafirma o compromisso com a inclusão e a acessibilidade. O evento contará com rampa de acesso e equipe preparada para atendimento inclusivo, garantindo que pessoas com diferentes necessidades possam participar plenamente das atividades e vivenciar a programação.
Como parte da contrapartida social, o projeto mantém parceria com o Colégio Estadual Professora Nilde Maria Monteiro Xavier. A colaboração prevê a realização de oficinas de produção cultural, contação de histórias, atividades voltadas ao conhecimento das folhas sagradas e saraus, promovendo a troca de saberes e o fortalecimento do vínculo entre cultura, educação e juventude.
Mais do que uma celebração, a Feijoada Cultural se consolida como um espaço de encontro, aprendizado e valorização do patrimônio imaterial brasileiro. A iniciativa reforça o papel histórico dos terreiros como guardiões de memórias, práticas e conhecimentos que seguem alimentando o corpo, o espírito e a identidade coletiva. O projeto foi contemplado pelos editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia (Pnab) e conta com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura, via PNAB, em parceria com o Ministério da Cultura. As informações são de assessoria.



















































