A Chapada Diamantina vem se firmando como um território onde educação, inovação e sustentabilidade caminham de forma integrada. Em uma região que ultrapassa 40 mil km², reúne mais de 24 municípios e concentra a maior diversidade natural entre as chapadas brasileiras, a educação tem assumido um papel estratégico, formando cidadãos conectados com o território, preparados para os desafios globais e conscientes do valor do patrimônio ambiental e cultural que os cerca.
Esse novo olhar educacional parte do entendimento de que aprender na Chapada vai além da sala de aula tradicional. O Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD), criado em 1985 pelo Decreto nº 91.655, protege 152 mil hectares da Serra do Sincorá e tornou-se um verdadeiro laboratório pedagógico. A preservação de nascentes, a conservação da biodiversidade e a proteção da avifauna regional são incorporadas às práticas educativas que unem ciência, cidadania e responsabilidade ambiental.
A própria geologia da região, com formações que remontam a mais de 1 bilhão de anos, fortalece esse modelo de ensino contextualizado. Arenitos, quartzitos, calcários e vestígios de antigas transgressões marinhas ajudam alunos a compreender processos naturais em larga escala. Nesse cenário nasce o rio Paraguaçu, que percorre cerca de 600 km, abastece diversas cidades, inclusive Salvador, e reforça, no ambiente escolar, a noção de interdependência entre educação, recursos hídricos e desenvolvimento humano.
A economia regional também influencia diretamente essa transformação educacional. O crescimento baseado no turismo ecológico e cultural e no agronegócio de alto valor, com destaque para a produção de morango, café e batata, estimula projetos pedagógicos ligados à inovação, ao empreendedorismo e à sustentabilidade. Municípios como Seabra e Mucugê tornaram-se referências nesse diálogo entre escola, território e vocações produtivas locais.
A riqueza ambiental da Chapada fortalece ainda mais esse processo. Com cerca de 400 espécies de aves, reunindo fauna da Caatinga, Mata Atlântica e Cerrado, a região passou a atrair atenção internacional. A inclusão da Chapada na 1ª edição do Catálogo de Experiências do Turismo de Observação de Aves no Brasil, publicado pelo Ministério do Turismo em dezembro de 2025, impulsionou iniciativas educativas voltadas ao birdwatching, com participação de operadores do Reino Unido e dos Estados Unidos.
Educação e inovação sustentável
Nesse contexto, rotas que unem turismo sensorial, como frutas vermelhas e cafés especiais, à observação da fauna vêm sendo estruturadas com acompanhamento do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que oferece capacitação e assistência técnica. Esses produtos turísticos, antes de serem apresentados aos visitantes, estão sendo apropriados e compreendidos por professores e alunos locais, fortalecendo o sentimento de pertencimento e o entendimento do valor econômico e ambiental do território.
A articulação entre atores nacionais e internacionais tem ampliado esse movimento. Instituições como a National Geographic, voltadas à inovação educacional, e a Associação Cultural Brasil Estados Unidos (Acbeu), entidade sem fins lucrativos fundada por rotarianos em 1941, passaram a apoiar escolas municipais da Chapada. O trabalho busca integrar educação, cultura e preservação dos valores locais, com foco inicial no município de Mucugê e perspectiva de expansão regional.
A presença da inteligência artificial (IA) nas escolas públicas e privadas reforça essa proposta contemporânea de ensino. A tecnologia tem sido utilizada para estimular o domínio de línguas estrangeiras, ampliar o acesso ao conhecimento e qualificar alunos, professores e guias locais, conectando o aprendizado digital à realidade da Chapada.
Ao compreender que o global só se constrói a partir do local, a Chapada Diamantina aposta em uma educação que valoriza seus recursos naturais, sua cultura e sua história. O resultado é um modelo que alia inovação, meio ambiente e desenvolvimento sustentável, formando cidadãos capazes de proteger um patrimônio coletivo único no planeta e, ao mesmo tempo, dialogar com o mundo. Jornal da Chapada com informações do portal A Tarde.


















































