A redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais teria impacto econômico semelhante ao observado em reajustes históricos do salário mínimo, segundo estudo divulgado nesta terça-feira (10) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A análise considera a jornada predominante de 44 horas, associada à escala 6×1.
De acordo com o levantamento, o custo seria inferior a 1% em grandes setores como indústria e comércio. Já segmentos de serviços intensivos em mão de obra, como vigilância e limpeza, poderiam registrar impacto maior, estimado em 6,5% no custo da operação, demandando transição gradual e possíveis políticas públicas.
O pesquisador Felipe Pateo explica que, embora a jornada de 40 horas eleve o custo do trabalhador celetista em 7,84%, o peso é diluído nas grandes empresas, onde o gasto com pessoal representa menos de 10% do custo operacional. Para pequenas empresas, o desafio é maior: 87,7% dos trabalhadores em estabelecimentos com até quatro empregados têm jornadas superiores a 40 horas.
O estudo também aponta que a jornada de 44 horas concentra trabalhadores de menor renda e escolaridade. A remuneração média de quem trabalha até 40 horas é de R$ 6,2 mil, enquanto os que cumprem 44 horas recebem, em média, menos da metade. Mais de 83% dos vínculos de pessoas com até o ensino médio completo estão nessa condição.
Segundo dados da Rais, dos 44 milhões de trabalhadores celetistas registrados em 2023, 31.779.457 (74%) tinham jornada de 44 horas. O tema ganhou força no debate político, com duas propostas em tramitação na Câmara a PEC 8/25 e a PEC 221/19 e foi incluído entre as prioridades do governo federal para o semestre.
Jornal da Chapada





















































