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#Eleições2026: Ausência de Geraldo Júnior em agenda com Lula amplia incerteza sobre vice e expõe descredibilidade na base de Jerônimo Rodrigues

Geraldo Júnior não participou da agenda com Lula em Salvador, ampliando as especulações sobre a definição do vice na chapa governista | FOTO: Reprodução |

A ausência do vice-governador Geraldo Júnior (MDB) em uma das agendas mais simbólicas do governo estadual nesta quinta-feira (2) voltou a alimentar as especulações sobre quem será o candidato a vice na chapa do governador Jerônimo Rodrigues (PT) nas eleições deste ano. O emedebista não participou da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) às obras do VLT de Salvador, na Calçada, nem da solenidade que marcou a ampliação do metrô entre a Lapa e o Campo Grande.

A ausência, em um evento de grande visibilidade política, foi interpretada como mais um sinal de que o nome de Geraldo Júnior perde espaço dentro da articulação governista. Em meio à indefinição, o silêncio sobre o vice e a falta de gestos públicos de alinhamento reforçam a leitura de que a composição da chapa segue em aberto e cada vez mais distante de um consenso.

O evento reuniu figuras centrais do grupo, como o senador Jaques Wagner (PT) e o ministro da Casa Civil Rui Costa (PT), além da presença do próprio presidente Lula. Ainda assim, a ausência do vice-governador, somada à do senador Otto Alencar (PSD), ampliou a sensação de desarticulação dentro da base aliada em um momento que exigia demonstração de unidade.

Sem Geraldo Júnior e sem anúncio do vice, Lula ganhou todo o protagonismo durante visita às obras do VLT em Salvador | FOTO: Montagem do JC |

Oportunidade perdida e indefinição prolongada
Nos bastidores, a expectativa era de que o evento com Lula servisse como palco para o anúncio do candidato a vice. A presença do presidente daria peso político, visibilidade nacional e ajudaria a consolidar a chapa governista diante do eleitorado. Era o cenário ideal para encerrar dúvidas e alinhar o discurso.

Nada disso aconteceu. Sem anúncio e com ausências relevantes, o que era para ser um momento de afirmação política acabou se transformando em mais um capítulo de incerteza. A indefinição, que já se arrasta há semanas, ganhou novos contornos e passou a ser vista como um problema estratégico para a campanha.

A demora do governador em definir o vice começa a gerar desgaste dentro e fora da base. O próprio Jerônimo Rodrigues havia indicado que o nome seria anunciado até o fim de março, prazo que não foi cumprido. Já em abril, a indefinição expõe fragilidade na articulação política e abre espaço para disputas internas e especulações constantes.

Enquanto isso, o adversário, ACM Neto (União), já oficializou o nome de Zé Cocá (PP) como vice e percorre o interior com uma chapa consolidada. A comparação é inevitável e reforça a percepção de que o grupo governista ainda busca se organizar, enquanto a oposição avança com estratégia definida.

Com o nome de Geraldo Júnior cada vez mais enfraquecido, outras lideranças passaram a ser cogitadas. A deputada estadual Ivana Bastos (PSD) chegou a ser sondada, mas recusou. Já nomes como Adolfo Menezes (PSD) e Rogério Andrade (MDB) ganharam força, especialmente após movimentações envolvendo o ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB). Também aparece na lista, de forma mais discreta, o presidente da UPB, Wilson Cardoso (PSB).

No fim, a ausência de definição começa a custar caro. Ao não aproveitar um evento de grande visibilidade ao lado do presidente da República para anunciar seu vice, o governador perdeu uma oportunidade estratégica de dar rumo à sua campanha. Em política, indefinição prolongada não é apenas silêncio, é espaço aberto para desgaste, ruído e perda de protagonismo.

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