Produzido em uma das regiões mais singulares do Nordeste, o café cultivado em Piatã tem conquistado reconhecimento internacional e se consolidado como um dos mais valorizados do país. Conhecido como o “ouro negro” brasileiro, o grão se destaca pela combinação de fatores naturais e técnicas de produção que elevam sua qualidade.
Localizada a cerca de 1.280 metros de altitude, na Chapada Diamantina, Piatã apresenta um clima atípico para a região. As temperaturas mais baixas, especialmente durante a noite, associadas à variação térmica ao longo do dia, contribuem para um processo de maturação mais lento dos frutos do cafeeiro. Esse ritmo permite maior concentração de açúcares e compostos complexos nos grãos.
O resultado é uma bebida com perfil sensorial diferenciado, marcada por acidez cítrica equilibrada, corpo aveludado e doçura natural. Essas características têm garantido destaque frequente em premiações internacionais, como o Cup of Excellence, considerado uma das principais referências globais do setor. Em 2022, produtores da região conquistaram o primeiro e o segundo lugar na edição brasileira do concurso.
A produção local é predominantemente familiar e focada na variedade arábica, com destaque para os tipos Catuaí Vermelho e Amarelo. O cultivo artesanal e a colheita seletiva, feita apenas com grãos maduros, são etapas fundamentais para garantir a excelência do produto final.
Além da produção, o preparo adequado também é essencial para valorizar as qualidades do café de Piatã. Especialistas recomendam moer os grãos apenas no momento do uso, utilizar água filtrada e manter a temperatura entre 92°C e 96°C. A proporção indicada é de 10 gramas de café para cada 100 ml de água, podendo ser ajustada conforme o gosto do consumidor.
Métodos de extração coados, como os filtros tradicionais, ajudam a destacar as notas frutadas e a doçura natural da bebida. O cuidado no preparo, aliado à qualidade do grão, transforma a experiência em uma verdadeira degustação de um dos cafés mais premiados do mundo.
Jornal da Chapada

