A criação de uma nova unidade de conservação na Serra da Chapadinha, na Chapada Diamantina, avança após anos de debates e reivindicações da sociedade civil. A proposta, que envolve os municípios de Itaetê, Ibicoara e Mucugê, começa a ganhar forma com a realização de estudos técnicos e agendas de escuta social promovidas pelo Governo do Estado.
A área é considerada estratégica por reunir zonas de recarga hídrica, remanescentes de vegetação nativa e diferentes formas de uso do território, características que reforçam a necessidade de proteção ambiental. Além disso, a iniciativa é vista como um passo importante para garantir equilíbrio ecológico, conservação da biodiversidade e ordenamento do uso da terra.
Ao longo da última semana, equipes da Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema) e do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) estiveram em campo realizando levantamentos e dialogando com moradores, gestores públicos e representantes de comunidades tradicionais.
A ação ocorreu de forma simultânea, com frentes voltadas tanto para o trabalho técnico quanto para o diálogo institucional. O objetivo foi alinhar informações, ouvir demandas locais e construir um processo mais participativo na definição da futura unidade.
Segundo o superintendente da Sema, Luiz Araujo, ainda não há definição sobre o tipo de unidade a ser criada. “A gente não tem categoria definida. É o estudo técnico que vai dizer qual é a melhor alternativa para a área. Esse processo que estamos fazendo enquanto Governo do Estado é justamente para que a decisão seja segura e baseada em todas as variáveis, tanto ambientais quanto sociais”, disse.
Ele também destacou a relevância ecológica da região para a fauna. “Essa é uma área muito relevante para a espécie, que se desloca entre o Parque Nacional, o Parque Municipal do Espalhado em Ibicoara e a Chapadinha. Isso reforça a importância de olhar para essa região de forma integrada”, ressaltou.

Metodologia e critérios do estudo
O processo segue metodologia aplicada na criação de unidades de conservação em nível nacional, com análise detalhada dos aspectos físicos, biológicos e socioeconômicos do território.
A coordenadora da Sema, Carolina Prudente, explicou como funciona essa etapa. “O estudo técnico reúne a caracterização do meio físico, biótico e socioeconômico, permitindo compreender desde os aspectos ambientais até quem são as pessoas e comunidades que utilizam esse território”, afirmou.
Ela também destacou a importância da escuta social antecipada. “Antes mesmo da consulta pública, estamos dialogando com comunidades, proprietários, prefeituras e instituições. Isso fortalece as informações que vão subsidiar a definição da categoria da Unidade”, salientou.
O levantamento inclui ainda análise da flora e do estado de conservação da vegetação. A bióloga do Inema, Ághata Barreto, apontou o potencial ambiental da área. “São áreas que já sofreram interferência, mas que apresentam regeneração e estrutura florestal em desenvolvimento, o que indica potencial para conservação da biodiversidade”, pontuou.
A avaliação também considera o histórico de ocupação e uso do solo. A engenheira agrônoma Daiane Maltez explicou esse processo. “A gente precisa entender como essa área foi utilizada ao longo do tempo para compatibilizar essas informações com os dados ambientais”, disse.
Proteção e modo de vida
A diversidade de usos do território é um dos principais desafios para a definição da unidade, que deverá equilibrar preservação ambiental e atividades humanas já existentes na região.
Morador da Chapadinha, Juarez Rocha destacou a relação com o território. “Aqui representa um lugar de paz, de tranquilidade, de conforto, um meio de sobrevivência”. Ele também defendeu um modelo sustentável. “A gente defende uma categoria que permita viver em harmonia com a natureza, tirar o sustento daqui e, ao mesmo tempo, proteger a área”, afirmou.
Entre as preocupações locais está a possibilidade de atividades de maior impacto. “Sou totalmente contra. A gente está aqui no dia a dia tentando proteger esse lugar”, relatou o morador ao comentar sobre a mineração.
Representando comunidades tradicionais, Wendel, do Quilombo de Bananeiras, reforçou a necessidade de equilíbrio. “A gente precisa proteger de impactos maiores, mas sem tirar o sustento das pessoas. Essa é a balança mais difícil”, pontuou.
A equipe técnica também destacou que não há, até o momento, licenças ambientais para exploração mineral na área e que todas as decisões serão baseadas em critérios técnicos e sociais.
Após a conclusão dos estudos, a proposta seguirá para consulta pública, com apresentação formal da categoria e dos limites preliminares. Na sequência, serão realizadas audiências e coleta de contribuições da população, antes da definição final e publicação do decreto que poderá instituir a nova unidade de conservação, incluindo a criação de um conselho gestor responsável por acompanhar e orientar o uso da área. Jornal da Chapada com informações do portal Agência Sertão.
















































