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#Eleições2026: Tiroteios crescem 475% em Salvador, mas Jerônimo aposta em propagandas ilusórias e minimiza crise da segurança pública

Governo evita aprofundar debate sobre segurança enquanto confrontos armados crescem em Salvador | FOTO: Montagem do JC |

Enquanto o governador Jerônimo Rodrigues (PT) intensifica agendas e propagandas que apresentam uma ‘Nova Bahia’ marcada por avanços na saúde, educação e infraestrutura, os dados da violência seguem pressionando a gestão estadual. Levantamento do Instituto Fogo Cruzado mostrou que os tiroteios durante perseguições policiais cresceram 475% em abril em Salvador e região metropolitana, colocando novamente a segurança pública no centro do desgaste político do governo.

Os números divulgados pelo instituto desmontam parte da narrativa otimista adotada pelo Governo do Estado. Foram 23 tiroteios registrados durante perseguições policiais apenas no mês de abril, contra quatro ocorrências no mesmo período do ano passado. Todas aconteceram durante ações policiais. O saldo da escalada é conhecido da população baiana: mortos, feridos, operações em sequência e moradores convivendo diariamente com o medo em bairros da capital e da região metropolitana.

Mesmo com a redução geral de tiroteios, de 155 para 130 casos na comparação anual, os confrontos ligados diretamente às operações policiais seguiram crescendo. O relatório aponta 77 registros desse tipo em abril, aumento de 8% em relação a 2025. Nem os próprios agentes de segurança escapam da crise: 13 foram baleados no período, sendo três mortos e dez feridos. Ainda assim, o governo prefere tratar o tema com cautela quase cirúrgica, evitando transformar a segurança pública em centro do debate político.

Confrontos policiais crescem e colocam em xeque discurso de tranquilidade vendido pelo governo baiano | FOTO: Reprodução |

Segurança pública virou assunto desconfortável no governo
À medida que os índices de violência ocupam manchetes e alimentam a sensação de insegurança, as propagandas institucionais seguem apostando em uma Bahia quase perfeita. Nas peças oficiais, aparecem hospitais entregues, escolas reformadas, obras de infraestrutura e discursos sobre desenvolvimento em todas as regiões do estado. Quando o assunto é segurança pública, porém, o tom muda: tudo costuma ser resumido em frases rápidas, dados isolados considerados positivos ou discursos genéricos como “estamos trabalhando” e “a situação está melhorando”.

O problema é que a realidade insiste em atravessar o marketing oficial. O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União), percebeu cedo que a segurança pública se transformou no principal ponto vulnerável da gestão Jerônimo. Desde então, passou a explorar o tema constantemente em entrevistas, discursos e agendas políticas, apostando justamente na insatisfação crescente da população diante da violência.

Os dados do Fogo Cruzado ajudam a explicar por que o tema ganhou tanta força política. Salvador liderou os registros de abril com 98 tiroteios, 66 mortos e 24 feridos. Em seguida aparecem Camaçari, com 12 tiroteios e cinco mortes, e Lauro de Freitas, com seis ocorrências e nove mortos. Entre os bairros mais afetados estão São Cristóvão, Beiru/Tancredo Neves e Jardim Nova Esperança, regiões onde o som de tiros já faz parte da rotina de muitos moradores.

Em vez de assumir o tema como prioridade absoluta e enfrentar diretamente o desgaste político provocado pela crise na segurança, o governo parece apostar no silêncio estratégico e em campanhas publicitárias cuidadosamente produzidas. O problema é que, fora das peças institucionais, a Bahia real continua sendo interrompida por sirenes, operações policiais sangrentas e rajadas de tiros, uma realidade difícil de esconder apenas com slogans e discursos otimistas.

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