Os policiais envolvidos na ação que terminou com a morte de um jovem de 19 anos durante uma operação policial em Valéria, em Salvador, foram afastados das atividades operacionais nas ruas. Segundo a Polícia Militar, eles estão sendo submetidos ao Programa de Acompanhamento Psicossocial da Instituição.
A morte de Lucas Mendes de Jesus, na última sexta-feira (8), provocou revolta de familiares e vizinhos. Ele foi baleado ao tentar defender a mãe de um homem armado que havia invadido a residência da família, segundo relatos de parentes.
Após a morte, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) cobrou “apuração rigorosa, responsável, independente e transparente” sobre o caso e lamentou a morte do rapaz, que participava de um projeto social ligado à instituição desde os 16 anos.
De acordo com a Polícia Militar, o caso é investigado pela Polícia Civil, por meio do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), “conforme os protocolos legais aplicáveis às ocorrências com resultado morte decorrente de intervenção policial”.
Ainda segundo a corporação, os policiais militares envolvidos na ocorrência foram apresentados e ouvidos pela autoridade competente no momento da formalização do procedimento investigativo.
“A Polícia Militar da Bahia acompanha as apurações conduzidas pela Polícia Judiciária, adotando as providências administrativas cabíveis no âmbito institucional, conforme previsto na legislação e nas normas internas”, acrescenta.
Relembre o caso
Lucas foi morto na noite de sexta-feira (8), dentro da casa da família, na localidade da Bolachinha, durante uma troca de tiros envolvendo policiais militares e um homem armado que havia invadido o imóvel. Segundo familiares, o jovem tentou proteger a mãe no momento em que o suspeito fez a família refém.
De acordo com o relato da mãe de Lucas à TV Aratu, o homem armado colocou uma arma na cabeça dela e obrigou a família a permanecer dentro da residência. “Meu filho estava no fundo, eu na frente e o bandido no meio. Nós ficamos encurralados”, contou.
Ainda segundo a mãe, Lucas tentou intervir para defendê-la e acabou baleado durante a ação policial. O suspeito também morreu. “O quarto está todo crivado de bala. Meu filho foi morto primeiro que o bandido”, afirmou.
Na manhã de sábado (9), familiares e amigos de Lucas realizaram um protesto em Valéria. O grupo queimou pneus e interditou parte das vias do bairro em protesto contra a morte do jovem.
Em nota, a Polícia Militar informou que equipes da 31ª CIPM realizavam patrulhamento na Rua Tânia Duran quando foram recebidas a tiros por homens armados. Conforme a corporação, os suspeitos fugiram e invadiram a residência, onde continuaram atirando contra os policiais.
Após o confronto, dois homens feridos foram encontrados dentro da casa e levados para uma unidade de saúde, mas não resistiram. Durante a ocorrência, o policial militar Ramon Santos Nascimento foi baleado na mão e no abdômen. Ele foi socorrido para o Hospital do Subúrbio.

