O abandono do abatedouro de animais de Morro do Chapéu voltou ao centro do debate político após denúncias feitas pelo deputado estadual Diego Castro (PL), que criticou o governo de Jerônimo Rodrigues (PT) pela paralisação da estrutura iniciada em 2015 e que nunca entrou em funcionamento. Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar mostrou o estado de deterioração do espaço, marcado por ferrugem, corrosão e equipamentos abandonados.
Segundo o deputado, cerca de R$ 5 milhões foram investidos na obra, que teria capacidade para realizar o abatimento de até 170 animais por dia e ajudar no combate ao abate clandestino na região. “O governo deixou milhões de reais apodrecerem no meio do mato”, afirmou Diego Castro ao cobrar providências da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab).
A situação do empreendimento também expõe os impactos econômicos provocados pela paralisação da obra. Além do desperdício de recursos públicos, a deterioração da estrutura pode aumentar os custos de recuperação caso o projeto seja retomado futuramente. Equipamentos expostos ao tempo e estruturas comprometidas tendem a exigir novos investimentos para recuperação ou substituição.
Outro prejuízo apontado é o impacto direto sobre a cadeia produtiva local. Sem um espaço adequado para o abate regularizado de animais, produtores rurais da região enfrentam dificuldades para comercializar a produção dentro das exigências sanitárias, o que afeta a economia agropecuária e limita oportunidades de crescimento para o setor.
A ausência de funcionamento do abatedouro também representa perda de empregos e de oportunidades econômicas para Morro do Chapéu. A expectativa inicial era que o empreendimento movimentasse a economia local, gerando postos de trabalho diretos e indiretos ligados à pecuária, transporte, comércio e serviços.
Ao comentar o caso, a prefeita Juliana Araújo (PDT) afirmou que o terreno pertence ao município, mas que a responsabilidade pelas obras é do Governo do Estado, por meio da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri). Segundo a gestora, representantes da pasta chegaram a procurar a prefeitura para discutir o futuro da área, mas as negociações não avançaram após um impasse envolvendo contrapartidas solicitadas pelo município.
A prefeita também destacou que a administração municipal autorizou a atuação do governo estadual no local e relembrou que a cessão da área ocorreu ainda em 2015, durante a gestão do ex-prefeito Leonardo Lima. Apesar disso, o empreendimento segue sem previsão de conclusão e se tornou símbolo de uma obra pública inacabada no interior baiano.
Enquanto o impasse permanece, o espaço segue marcado pelo abandono e pela deterioração, cenário que amplia as críticas à falta de planejamento e de execução do Governo do Estado em obras consideradas estratégicas para o desenvolvimento regional. Jornal da Chapada com informações do portal Bahia Notícias.

