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#Brasil: Paralisação nacional dos garis e margaridas cobra votação de PL no Senado e expõe luta por valorização e direitos trabalhistas

Garis e margaridas intensificam protestos em Salvador por piso salarial e regulamentação da profissão | FOTO: Montagem do JC |

Trabalhadores da limpeza urbana realizam mobilizações nesta sexta-feira (15) em diferentes cidades do país para pressionar o Senado Federal pela aprovação do PL 4146/2020, que regulamenta nacionalmente as profissões de gari e margarida. A proposta prevê a criação de piso salarial, aposentadoria especial e adicional de insalubridade para a categoria.

Na Bahia, o movimento teve apoio do SindilimpBA, que intensificou as ações de mobilização e reforçou a articulação em defesa da aprovação do projeto. A categoria afirma que segue sem reconhecimento proporcional à importância do serviço prestado à população, mesmo após ter sido considerada essencial durante a pandemia da Covid-19.

Ex-vereador de Salvador e representante do setor, Luiz Carlos Suíca (PT) destacou as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores e criticou a ausência de um piso nacional. “Quem mantém a cidade limpa segue sem piso nacional”, afirmou Suíca.

A paralisação também ganhou dimensão nacional após representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do SindilimpBA não conseguirem se reunir com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em Brasília. A situação gerou críticas de lideranças sindicais e intensificou a mobilização da categoria.

O secretário-geral do Sindilimp-BA e pré-candidato a deputado federal, Suíca afirmou que a categoria segue unificada na cobrança por respostas. “Eu acho que alguns senadores, principalmente o Alcolumbre, tem feito pouco caso da luta dos trabalhadores de todo o Brasil. Estamos aqui reafirmando com os trabalhadores, que se não tiver uma resposta positiva, e faltar o projeto 4146, que valoriza os trabalhadores, a paralisação está mantida”, pontuou Suíca.

Coordenadora-geral do SindilimpBA, Ana Angélica Rabello classificou a proposta como essencial para a valorização da categoria. “São trabalhadores que acordam de madrugada, enfrentam chuva, sol, riscos à saúde e mantêm as cidades funcionando. O mínimo é garantir dignidade e valorização para a categoria”, afirmou.

Representantes de movimentos sociais também reforçaram a importância da categoria para o funcionamento das cidades e da saúde pública. O coletivo ‘Gigantes da Limpeza’ destacou a dimensão social da mobilização. “Quando o senhor [Alcolumbre] fecha a porta para a gente, o senhor fecha para 400 mil famílias que acordam às 4 da manhã para limpar a sujeira do país, inclusive a de Brasília. O senhor fez um juramento quando sentou naquela cadeira, jurou proteger o povo brasileiro. E nós somos o povo, somos a base da saúde pública e da economia do país”, disse o grupo.

O representante da CUT, Raimundo Moraes, também criticou o cancelamento de reuniões com lideranças do movimento. “Para o Senado, você não é ninguém. Para a presidência do Senado, é como se o gari fosse parte da poluição. Ignorantes e incapazes de se organizar. E por isso, ele vira as costas. Ele fechou a porta do Senado para todos os trabalhadores da limpeza urbana, os garis e margaridas de todo o Brasil”, afirmou.

O PL 4146/2020 já foi aprovado na Câmara dos Deputados e aguarda votação no Senado Federal. A mobilização dos trabalhadores segue como forma de pressionar pela aprovação da proposta e pela ampliação dos direitos da categoria em todo o país.

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