O fortalecimento da gestão participativa e da conservação da biodiversidade nas áreas protegidas do país marcou os debates do 12° Seminário Brasileiro sobre Áreas Protegidas e Inclusão Social (Sapis) e do 7° Encontro Latino-Americano sobre Áreas Protegidas e Inclusão Social (Elapis), realizados entre os dias 18 e 22 de maio de 2026, na Universidade de Brasília (UnB). O evento reuniu mais de 900 participantes de diferentes regiões do país.
A programação contou com a presença de representantes de povos indígenas, quilombolas, comunidades de terreiro, pescadores, marisqueiras, pesquisadores, estudantes, organizações da sociedade civil e servidores públicos ligados à agenda ambiental e à proteção territorial.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) teve papel de destaque durante o encontro, com participação ativa de servidores de diferentes regiões do país e vinculados a unidades de conservação, centros de pesquisa e coordenações regionais.
Durante os debates, foram compartilhadas experiências relacionadas à gestão participativa, pesquisa científica, proteção territorial e construção coletiva de políticas públicas voltadas às áreas protegidas e à conservação da biodiversidade brasileira.
Entre os relatos apresentados, a moradora dos Lençóis, na Bahia, Layra Silva, representante dos povos de terreiro da Comunidade do Jarê, destacou a importância do reconhecimento das populações tradicionais que vivem em territórios inseridos em unidades de conservação.
“É preciso entender que nós estamos dentro do Parque de forma enraizada, porque somos um só dentro da natureza. Infelizmente, tivemos traumas ancestrais, culturais e emocionais, mas o Sapis me trouxe clareza e uma lição muito grande, principalmente em relação ao ICMBio, ao trabalho que é feito, e que, sim, nós podemos compartilhar um propósito único: cuidar da natureza!”, afirmou.
Layra também ressaltou que o seminário possibilitou a exposição de demandas das comunidades tradicionais, além da troca de experiências com representantes de outros territórios do país.
Gestores de unidades de conservação também apresentaram experiências voltadas à integração entre comunidades e órgãos ambientais. O gestor do Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, Ulisses dos Santos, destacou a importância da participação popular na preservação das áreas protegidas.
“Nós trouxemos uma comitiva com 15 representantes do território do Parque Nacional porque consideramos que o Sapis é um espaço de encontro, de alianças, de elo e de conexão. É quando discutimos e pensamos as áreas protegidas não apenas como órgão gestor, mas também dando voz à sociedade, que é protagonista nesse processo. Existem conflitos e diferentes visões, mas conseguimos superar isso por meio do diálogo, da colaboração e do compartilhamento de responsabilidades”, pontuou.
Segundo Ulisses dos Santos, projetos desenvolvidos com recursos provenientes das concessões do Parque Nacional do Iguaçu têm buscado ampliar a inclusão social e fortalecer comunidades vulneráveis no entorno da unidade.
“A gente tem buscado construir um Parque mais equitativo, de forma que os recursos cheguem às comunidades mais vulneráveis. E entendemos que essa população se torna aliada da unidade de conservação”, destacou.
No Amazonas, o conselheiro indígena do Parque Nacional do Pico da Neblina, Agostinho dos Santos Yanomami, também ressaltou a importância da presença institucional do ICMBio na proteção dos territórios indígenas. “Eu sozinho, sem apoio, não conseguiria proteger o território. O ICMBio é um grande parceiro da nossa comunidade, juntamente com a Funai, e isso precisa ser cada vez mais fortalecido”, enfatizou.
Para o chefe do Serviço de Gestão Socioambiental, William Rabelo, o encontro fortaleceu o diálogo entre comunidades tradicionais e os órgãos responsáveis pela conservação ambiental.
“Uma coisa é nós falarmos sobre eles. Outra é vê-los criando conexões, defendendo seus modos de vida e compreendendo os mecanismos, as áreas temáticas do Instituto e os desafios enfrentados pelas equipes que trabalham em áreas ocupadas por povos e comunidades tradicionais”, afirmou.
Também participaram dos debates representantes de áreas de proteção ambiental da Bahia. A antropóloga Ana Karla, servidora do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema), destacou a importância da articulação entre comunidades, universidades e instituições ambientais.
“A gente sai renovado nas ideias, com reflexões críticas construídas coletivamente. Saímos revigorados e com mais esperança para voltar aos nossos territórios e continuar nossos processos de gestão das unidades de conservação”, disse.
os debates reforçaram que a conservação da biodiversidade depende diretamente da integração entre conhecimento técnico, participação social e valorização dos povos e comunidades tradicionais que mantêm relação histórica com os territórios protegidos. Jornal da Chapada com informações do portal Gov.















































