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#Bahia: Crise no Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães se agrava com paralisação médica e rescisão contratual anunciada pela Sesab

Hospital Regional de Porto Seguro vive cenário de incertezas após paralisação médica | FOTO: Montagem do JC |

A crise no Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães, em Porto Seguro, ganhou um novo capítulo com o anúncio da paralisação parcial do corpo clínico da unidade. Enquanto médicos denunciam atraso superior a 60 dias no pagamento dos honorários, pacientes enfrentam um cenário marcado por falta de insumos, dificuldades operacionais e sucessivos problemas que vêm comprometendo a assistência prestada pelo hospital.

A partir desta sexta-feira (5), foram suspensos os atendimentos classificados como fichas verdes e azuis, além das cirurgias eletivas e consultas ambulatoriais. Embora os casos de urgência e emergência continuem sendo atendidos, a decisão dos profissionais deve ampliar a demanda reprimida e aumentar o tempo de espera para milhares de pacientes que dependem da unidade. O movimento foi anunciado após diversas tentativas de negociação sem que houvesse uma solução para regularizar os pagamentos em atraso.

A paralisação ocorre em meio a uma série de dificuldades já enfrentadas pelo hospital nos últimos meses. Relatos de pacientes e profissionais apontam falta de materiais médico-hospitalares, escassez de medicamentos e limitações que afetam diretamente a realização de procedimentos e tratamentos. Em alguns casos, pacientes chegaram a aguardar cirurgias por falta de insumos básicos, situação que se tornou símbolo do agravamento da crise vivida pela unidade.

Os médicos chegaram a protestar contra o atraso salarial na última quarta-feira (3) | FOTO: Montagem do JC |

Além das dificuldades relacionadas ao abastecimento de insumos e medicamentos, a estrutura do hospital também tem sido alvo de reclamações. A indisponibilidade prolongada de exames como tomografia e ecocardiograma tem dificultado diagnósticos e atrasado tratamentos, obrigando pacientes a aguardarem por mais tempo ou a buscarem atendimento em outras unidades da região.

Outro problema que aumentou a preocupação em torno da unidade envolve o fornecimento de água. Relatos apontam episódios de falta de abastecimento e questionamentos sobre a qualidade da água utilizada no hospital, situação que chegou a ser observada pela Vigilância Sanitária. O caso reforçou as críticas sobre as condições de funcionamento da unidade e os impactos na assistência aos pacientes.

Sesab e mudança na gestão
Em meio ao agravamento da situação, a Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab) não informou se os repasses destinados à empresa responsável pela administração da unidade estavam sendo realizados regularmente. Dados disponíveis no Portal da Transparência indicam que, dos oito meses de vigência do contrato de gestão, apenas cinco registraram pagamentos. Poucos dias após o aumento das denúncias envolvendo atrasos salariais, problemas operacionais e falhas na assistência, o Governo do Estado decidiu rescindir o contrato com a empresa gestora do hospital.

A mudança na administração ocorre justamente quando a unidade enfrenta um dos momentos mais delicados de sua história recente. Sem previsão para a regularização dos pagamentos reivindicados pelos médicos e sem informações detalhadas sobre os próximos passos da gestão, permanecem as dúvidas sobre a capacidade do hospital de restabelecer a normalidade dos serviços. Enquanto isso, pacientes, profissionais e moradores da região acompanham com preocupação os desdobramentos da crise, temendo que os prejuízos ao atendimento se tornem ainda maiores nos próximos meses.

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