O Ministério Público do Estado da Bahia instaurou um procedimento administrativo para apurar denúncias envolvendo a gestão do Canil Municipal de Itaberaba. A investigação coloca novamente a administração do prefeito João Filho (PSD) no centro de questionamentos, diante de acusações de supostos maus-tratos a animais, negligência no atendimento médico-veterinário e possível utilização indevida de bens públicos.
A apuração foi iniciada após o recebimento de uma representação popular acompanhada por um amplo conjunto de provas, entre elas fotografias, vídeos e documentos que apontam falhas na estrutura do equipamento público e situações que, em tese, configuram violações às normas de proteção e bem-estar animal. O Ministério Público agora reúne informações para verificar a responsabilidade dos envolvidos e definir quais providências poderão ser adotadas ao longo da investigação.
Caso as irregularidades sejam confirmadas, a situação poderá representar descumprimento de deveres básicos da administração pública em relação à política de proteção animal. Os canis municipais têm como função acolher animais abandonados ou resgatados, garantindo alimentação adequada, água, acompanhamento médico-veterinário, vacinação, controle de zoonoses, tratamento de enfermidades, castração e condições sanitárias compatíveis com o bem-estar animal. A ausência desses cuidados compromete diretamente a saúde dos animais, favorece a disseminação de doenças e enfraquece uma política pública essencial para o controle populacional e sanitário do município.
As denúncias investigadas pelo Ministério Público já haviam sido reveladas pelo Jornal da Chapada em junho de 2025. Na ocasião, a reportagem publicou fotografias e vídeos que mostravam o cenário encontrado no Canil Municipal e noticiou a abertura de uma representação junto ao Ministério Público, apontando suposta negligência por parte do coordenador do espaço, Túlio, e da médica-veterinária responsável, Bruna.
O material divulgado mostrava cães deitados diretamente no chão, alguns aparentemente debilitados e sem atendimento, ração espalhada pelo ambiente, ausência de tratamento para animais doentes e cavalos mantidos amarrados em cordas curtas, apresentando sinais de desidratação. As imagens repercutiram entre moradores, protetores independentes e entidades ligadas à causa animal, que cobraram providências imediatas das autoridades competentes.
Caos na saúde amplia desgaste da gestão
A investigação envolvendo o canil se soma a outras denúncias que também marcaram a gestão do prefeito João Filho nos últimos meses. Uma delas foi apresentada pelo vereador Roberto Almeida (Republicanos), que denunciou o abandono de duas ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), destinadas ao município, mas que, segundo ele, permaneciam paradas em um estacionamento de um posto de combustíveis.
“O município ganhou as ambulâncias para implantar o serviço, mas as mesmas estão abandonadas em um pátio desse posto de combustíveis”, afirma o vereador.
Posteriormente, o parlamentar informou que os veículos haviam sido retirados do local, mas disse não saber para onde foram levados.
“Tomei conhecimento que colocaram as ambulâncias em outro galpão. Estamos tentando descobrir onde é esse novo local”, declara o edil.
Outro episódio que gerou repercussão ocorreu em janeiro deste ano, quando moradores denunciaram a falta de insulina, tiras reagentes para medição da glicemia e outros medicamentos essenciais na rede municipal de saúde. A escassez dos insumos obrigou diversos pacientes a recorrerem à compra em farmácias particulares, aumentando os gastos de pessoas que dependem do fornecimento gratuito dos medicamentos para manter o tratamento.
Mesmo diante da repercussão das denúncias envolvendo o Canil Municipal e das críticas relacionadas aos serviços de saúde, o prefeito João Filho não utilizou suas redes sociais para se manifestar sobre os episódios. Até o fechamento desta matéria, o gestor também não havia apresentado esclarecimentos públicos à população sobre as providências adotadas pela administração municipal diante das situações denunciadas. Jornal da Chapada com informações do portal A Tarde.

