O Vale do Capão, um dos principais polos culturais da Chapada Diamantina, voltará a receber o Sonora Bahia em 2026, consolidando a região como palco de um dos maiores festivais dedicados à música autoral feminina do estado. Com inscrições abertas até 31 de julho, o edital da edição que celebra os dez anos do projeto vai selecionar oito compositoras baianas para integrar a programação oficial, prevista para setembro, com apresentações no Capão, em Ilhéus e também em Salvador.
Nesta edição, o festival reforça a valorização da produção artística do interior ao reservar vagas específicas para diferentes territórios da Bahia. O regulamento prevê a seleção de, no mínimo, duas compositoras da Chapada Diamantina, outras duas do Litoral Sul e até quatro artistas dos demais territórios de identidade do estado. As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas exclusivamente pela internet.
O Vale do Capão se destaca há anos como um dos principais centros de produção artística e cultural da Chapada Diamantina, reunindo músicos, compositores e iniciativas voltadas à economia criativa. A realização de parte da programação do Sonora Bahia no distrito fortalece esse cenário, amplia a visibilidade da música autoral feminina e cria novas oportunidades para compositoras da região apresentarem seus trabalhos a diferentes públicos.
Podem participar do processo seletivo mulheres cis, trans e travestis que residam na Bahia há pelo menos dois anos e possuam trabalho autoral. O edital foi estruturado para contemplar tanto artistas com trajetória consolidada quanto aquelas que ainda não tiveram oportunidade de se apresentar em palcos profissionais. Não é necessário possuir músicas gravadas em estúdio, e grupos formados exclusivamente por mulheres também podem disputar uma vaga na programação.
Segundo a idealizadora do projeto, Ive Farias, completar uma década de realização representa a confirmação do papel transformador que o festival exerce na valorização da música autoral feminina.
“Completar 10 anos reforça a nossa certeza de que o Sonora é uma revolução na música autoral feminina da Bahia. Somos a prova viva de que o que falta para as nossas artistas são palcos. Eu mesma comecei a compor a partir da minha experiência com o festival. Precisamos de motivação e de referências”, destaca Ive. Ela também ressalta o caráter formativo da iniciativa. “Ele estimula as artistas a prepararem seus materiais, a se inscreverem em seleções e, acima de tudo, a se enxergarem como compositoras”.

Além de abrir espaço para novas vozes, o Sonora Bahia aposta em ações afirmativas para ampliar a diversidade na música. O edital prevê pontuação adicional para mulheres negras, indígenas, mães solo, travestis, mulheres trans, pessoas com deficiência e bandas formadas exclusivamente por mulheres. As oito selecionadas receberão uma ajuda de custo de R$ 700 para apresentações com duração entre 30 e 50 minutos, fortalecendo a circulação da produção musical feminina em diferentes regiões do estado.
As apresentações ocorrerão em setembro, reforçando o papel do festival na descentralização da cultura, na valorização da música autoral e na projeção da Chapada Diamantina como um importante território de criação e difusão artística. Jornal da Chapada com informações do portal A Tarde.


















































