No extremo norte da Chapada Diamantina, Jacobina reúne uma combinação pouco comum no turismo baiano. Conhecida como ‘Cidade do Ouro’, a cidade mantém a exploração do metal em minas subterrâneas mais de três séculos depois das primeiras descobertas na região e, ao mesmo tempo, preserva uma paisagem marcada por serras, trilhas e mais de 45 cachoeiras catalogadas.
A atividade mineradora continua sendo um dos principais motores da economia local. Segundo a Secretaria de Comunicação Social do Governo da Bahia, Jacobina respondeu por 27% do valor da produção mineral comercializada no estado em janeiro de 2026, ficando à frente de municípios como Itagibá, Jaguarari e Santaluz.
A extração é realizada por um conjunto de minas subterrâneas operadas pela Jacobina Mineração e Comércio (JMC), atualmente sob controle do grupo canadense Pan American Silver. A exploração ocorre por meio de extensas galerias abertas no subsolo, já que cada tonelada de rocha retirada contém apenas poucos gramas de ouro.
Dados da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia (SDE) também já apontaram Jacobina como a maior arrecadadora do estado em Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), pagamento feito pelas empresas como compensação pela exploração dos recursos minerais.

Origem da ‘Cidade do Ouro’
A relação de Jacobina com o ouro começou ainda no século XVII, quando bandeirantes paulistas chegaram às serras da região e encontraram o metal. A descoberta colocou o território entre os primeiros pontos do interior baiano registrados pela exploração mineral.
O povoado se desenvolveu nas décadas seguintes e cresceu no vale cercado por elevações. Atualmente, a cidade está a 463 metros de altitude e fica a aproximadamente 330 quilômetros de Salvador, segundo informações da prefeitura de Jacobina.
A herança histórica pode ser observada no centro urbano e em diferentes referências que permanecem associadas à trajetória da mineração. Diferentemente de cidades como Ouro Preto e Diamantina, que transformaram antigas áreas de exploração em atrações históricas, Jacobina manteve a mineração como uma atividade econômica presente no cotidiano do município.

Cachoeiras entre as serras
Apesar da forte presença da mineração, Jacobina também possui um cenário natural que chama a atenção de visitantes. As serras do entorno concentram dezenas de quedas d’água, muitas delas localizadas no distrito de Itaitu e reunidas na região conhecida como Parque das Cachoeiras, criado pela Bahiatursa em parceria com o município.
Entre os pontos conhecidos está a Cachoeira Véu de Noiva, considerada a mais alta da região, com aproximadamente 60 metros de queda. O local possui um poço utilizado para banho e um paredão onde também são praticadas atividades como rapel.
Outra atração é a Cachoeira da Viúva, com cerca de 20 metros de queda entre paredões e localizada a poucos quilômetros do centro. Já a Cachoeira do Aníbal é conhecida entre moradores e possui acesso considerado curto, além de um poço raso.
O município também reúne áreas de maior altitude. O Pico do Jaraguá, próximo dos 1.000 metros, oferece uma vista ampla do vale. A Serra do Tombador e o Monte Tabor completam o cenário e são utilizados para atividades como trekking e mountain bike.
De acordo com o portal oficial do município, Jacobina possui mais de 45 quedas d’água catalogadas. A quantidade amplia o potencial natural da cidade, que mantém uma oferta de trilhas e áreas de banho ainda pouco exploradas por roteiros turísticos convencionais.

Clima e acesso
A localização de Jacobina, em um vale a 463 metros de altitude, contribui para temperaturas mais amenas em determinados períodos do ano em comparação com áreas do sertão baiano. As manhãs podem apresentar temperaturas mais baixas, especialmente nas regiões serranas.
As condições climáticas, no entanto, variam de acordo com o período e com fenômenos como El Niño e La Niña. Por isso, a recomendação é consultar a previsão do tempo antes de programar atividades nas áreas de serra e cachoeiras.
O acesso ao município pode ser feito pela BR-324. A localização permite que Jacobina seja utilizada como porta de entrada para conhecer uma área menos explorada da Chapada Diamantina, reunindo, em um mesmo destino, patrimônio histórico, mineração, serras e recursos naturais.
Entre o ouro retirado do subsolo e as águas que descem pelas montanhas, Jacobina mantém características que ajudam a explicar a identidade do município. A cidade preserva uma atividade econômica iniciada séculos atrás enquanto oferece paisagens naturais que seguem fora dos principais roteiros turísticos da região. Com informações do O Antagonista.


