A Chapada Norte reúne cachoeiras, grutas, serras e antigos cenários de exploração de ouro e diamantes em um roteiro de seis dias, apresentado pelo Jornal da Chapada como parte da série de trekking pela região, com o objetivo de mostrar as paisagens naturais e o patrimônio histórico e cultural dos municípios que integram esse circuito turístico da Bahia.
A Chapada Diamantina é dividida em três circuitos turísticos: Diamante, Ouro e Chapada Norte. O Circuito do Diamante reúne municípios como Lençóis, Mucugê, Andaraí e Palmeiras; o Circuito do Ouro contempla cidades como Piatã, Rio de Contas e Abaíra; enquanto a Chapada Norte é formada por Bonito, Caém, Campo Formoso, Jacobina, Miguel Calmon, Morro do Chapéu, Ourolândia, Piritiba, Saúde, Utinga e Wagner.
Localizada ao norte da Chapada Diamantina, a região foi marcada por expedições de exploradores em busca de ouro e diamantes. As atividades de mineração deixaram registros na história dos municípios e ajudaram a formar uma identidade cultural que ainda pode ser observada em antigas áreas de garimpo, construções, manifestações culturais e atrativos turísticos.
Entre os destaques naturais estão o Parque das Cachoeiras, com mais de 45 quedas d’água e trilhas ecológicas, além das grutas e formações rochosas de Campo Formoso. Em Morro do Chapéu, o Mercado de Artesanato Cultural reúne exposições, apresentações, oficinas e produtos produzidos por artesãos locais.
A gastronomia também faz parte da experiência. Entre os pratos e produtos regionais estão a galinha caipira com leite de licuri, o bode assado, doces de frutas, como goiabada cascão, marmelo e banana, além de licores e beiju. Na cultura popular, manifestações como a Marujada, as bandas de pífanos e o maculelê também se destacam.
Primeiro dia: história e paisagens de Jacobina
O roteiro começa em Jacobina, com um passeio pelo centro da cidade e seus principais pontos históricos e culturais.
A programação inclui casarios antigos, capelas, áreas comerciais e locais de onde é possível contemplar a paisagem do município. A primeira noite é de pernoite em Jacobina.
Segundo dia: cachoeiras de Itaitu
No segundo dia, o roteiro segue para Itaitu, distrito de Jacobina, localizado a cerca de 26 quilômetros da sede. A região é conhecida pelas serras, trilhas e possibilidades de prática de esportes de aventura.
Uma caminhada de aproximadamente 20 minutos leva à Cachoeira Véu de Noiva, que possui uma queda de cerca de 60 metros e permite banho, cascading e rapel.
Após o almoço com culinária regional no distrito, a programação segue para a Cachoeira Arapongas e o Poço da Geladeira, acessíveis por uma caminhada de aproximadamente 10 minutos. A queda possui cerca de 40 metros e termina em um poço de águas frias e escuras.
O retorno ocorre à noite para Jacobina, com possibilidade de conhecer a região da Missão, onde há bares, sorveterias, restaurantes e feira de artesanato.

Terceiro dia: natureza em Miguel Calmon
No terceiro dia, o destino é Miguel Calmon, a aproximadamente 36 quilômetros de Jacobina. O município abriga o Parque Estadual das Sete Passagens, área de preservação com cachoeiras, matas e trilhas.
O parque oferece opções de caminhadas de diferentes níveis de dificuldade, além de mirantes naturais para contemplação da paisagem e locais com possibilidade de observação da fauna. Após o passeio, o visitante retorna a Jacobina para pernoite.

Quarto dia: grutas de Campo Formoso
A quarta etapa segue para Campo Formoso, em um deslocamento de aproximadamente 100 quilômetros. O principal destaque do dia é a Toca da Barriguda, uma das maiores cavernas do Brasil, com cerca de 30 quilômetros de extensão.
Doze salões da caverna estão liberados para visitação. À noite, o roteiro inclui uma visita às lojas de artesanato mineral, atividade que permite conhecer produtos associados à tradição mineradora do município. O pernoite é realizado em Campo Formoso.

Quinto dia: Poço Verde e Toca dos Ossos
O quinto dia começa com um deslocamento de aproximadamente 160 quilômetros até Ourolândia. A primeira parada é o Poço Verde, localizado a cerca de quatro quilômetros da sede municipal.
Cercado por paredões rochosos, o local possui águas de tonalidade esverdeada e profundidade ainda desconhecida.
Depois do almoço em Ourolândia, o roteiro segue para a Toca dos Ossos, formação rochosa de calcário onde foram encontrados restos fossilizados de uma preguiça-gigante. O material está atualmente exposto no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro.
A dimensão total da caverna ainda não é conhecida, já que não foi possível chegar ao seu final. Após a visita, o trajeto segue para Morro do Chapéu, a cerca de 86 quilômetros de Ourolândia, onde ocorre o pernoite.

Sexto dia: cachoeira e história do garimpo
O último dia da travessia começa na Cachoeira do Ferro Doido, localizada a aproximadamente 15 quilômetros da sede de Morro do Chapéu. A queda, formada pelo rio de mesmo nome, chega a 98 metros no ponto mais alto. O curso d’água nasce na região da Boca do Cedro, ao sul do município.
Após o almoço com pratos típicos da região, o roteiro segue para a Vila do Ventura, antigo centro de exploração de diamantes que viveu seu auge no século XIX.
Durante o período de maior movimentação do garimpo, o local chegou a reunir cerca de 30 mil habitantes. Atualmente, a antiga vila possui apenas algumas famílias e, depois de ser conhecida durante anos como uma “cidade-fantasma”, passou a receber visitantes interessados em suas histórias, lendas e patrimônio.
O roteiro termina com uma visita ao Mercado Municipal de Artesanato de Morro do Chapéu, onde os visitantes podem conhecer e adquirir produtos confeccionados por artesãos locais.
Jornal da Chapada

