Um dia após participar de ato em apoio ao candidato a governador ACM Neto (União Brasil), o servidor da prefeitura de Paulo Afonso, Adriano Antunes da Silva, foi exonerado do cargo de supervisor que ocupava na Secretaria de Saúde da cidade. A decisão partiu do prefeito Mário Galinho (PSD), apoiador do governador Jerônimo Rodrigues (PT), e foi publicada no Diário Oficial do Município nessa quinta- feira (3).
“Hoje fui surpreendido ao chegar no meu trabalho, onde sou um dos coordenadores da UPA, e infelizmente uma surpresa desagradável. Recebi a carta de exoneração do meu serviço, não por ser um mau funcionário, não por ter destratado os munícipes da nossa cidade, pelo contrário, sempre exerci um trabalho digno, sempre fui um servidor que cumpri com as minhas obrigações e fazia sempre mais aquilo que era exigido. Mas, infelizmente, fui exonerado pelo simples fato de mostrar sinceridade, mostrar lealdade a alguém que eu sou simpatizante, a ACM Neto, que eu creio que será nosso futuro governador”, desabafou o ex-servidor ao compartilhar o desligamento nas redes sociais.
Segundo ele, outros servidores municipais também apoiam ACM Neto, embora evitem fazer manifestações públicas sob o temor de represálias, ao que ele sugere “dar resposta nas urnas”.
“Você tem o livre-arbítrio no dia 4 de outubro de mostrar verdadeiramente a sua indignação e elegermos o nosso candidato a governador, ACM Neto. Vamos dar essa resposta nas urnas, porque nossa Bahia merece mudança e conta comigo e com você”, declarou.
Liderança política local que esteve com ACM Neto em Paulo Afonso na última quarta (2), Juliano Medeiros repudiou a atitude do prefeito aliado de Jerônimo. “Prefeito, você não é dono da cidade, você não é dono do eleitor, você não é dono do voto de ninguém […] o nosso povo, esse povo que você prometeu defender, é um povo livre”.
Ele detalhou ainda que um dos secretários da gestão de Galinho chegou a enviar mensagens ao celular do servidor com links de matérias e vídeos em que ele apareceu ao lado do ex-prefeito de Salvador para justificar a demissão.
“Irmão, amado. Infelizmente dessa vez você não foi leal não. Me perdoe a sinceridade”, diz trecho do recado.
O servidor responde alegando ter “direito de expressar meu desejo em votar em ACM Neto”, ao passo em que reafirma compromisso de votar nos deputados apoiados pelo prefeito. “Mas no PT eu não voto, irmão”, escreveu Adriano.
Para Juliano Medeiros, “eles não tiveram a menor preocupação em disfarçar que de fato trata-se do mais cruel ato de perseguição política”.



