O governador Jerônimo Rodrigues (PT) tem tentado explorar eleitoralmente o caso do Banco Master, mas mantém no primeiro escalão do próprio governo um secretário que foi alvo da Polícia Federal no mesmo caso e aparece em diálogos e transações investigados pelos agentes.
Eduardo Mendonça Sodré Martins, secretário estadual do Meio Ambiente e enteado do senador Jaques Wagner (PT), foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF em junho para aprofundar as investigações sobre o esquema envolvendo o Banco Master. Mesmo depois da operação e do surgimento de novos elementos da investigação, Sodré permanece no comando da pasta no governo Jerônimo.
A situação ganhou novo peso nesta semana, após o Supremo Tribunal Federal (STF) ampliar a publicidade de documentos relacionados às investigações do Banco Master. Nesta sexta-feira (11), o ministro André Mendonça afirmou que os documentos dos procedimentos sob sua relatoria foram disponibilizados. Entre os casos que tiveram documentos divulgados estão investigações envolvendo Jaques Wagner.
Apesar disso, durante agenda eleitoral em Jequié na noite de sexta, Jerônimo voltou a mencionar o Banco Master na tentativa de atingir ACM Neto. O governador, porém, não fez referência à situação de seu próprio secretário nem ao fato de Eduardo Sodré ter sido alvo da Polícia Federal.
As investigações apontam que Sodré teve participação ativa em cobranças feitas a Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Mensagens obtidas pela PF mostram que, em setembro de 2025, o secretário cobrou Lima sobre pagamentos que estavam próximos do vencimento.
A PF também identificou uma transferência de R$ 3,5 milhões envolvendo empresas ligadas às pessoas investigadas. Segundo os documentos, a PKL One Participações, pertencente a uma prima de Augusto Lima, transferiu o dinheiro para a BN Financeira, vinculada à família de Eduardo Sodré.
Os investigadores relacionam essas movimentações à apuração mais ampla sobre a proximidade de Augusto Lima com o núcleo familiar de Jaques Wagner. A PF também investiga circunstâncias envolvendo um apartamento de aproximadamente R$ 2,5 milhões em Salvador.
Mesmo diante da operação da PF, Jerônimo decidiu manter Eduardo Sodré no cargo. Quando foi questionado sobre a situação após a deflagração da operação, o governador descartou a exoneração do secretário.
Agora, com o avanço das investigações e a divulgação de novos documentos, a permanência de Sodré no governo contrasta com o discurso adotado por Jerônimo na campanha. Enquanto tenta transformar as relações de adversários com personagens ligados ao Banco Master em munição eleitoral, o governador preserva no comando da Secretaria do Meio Ambiente um integrante de sua própria gestão que foi diretamente alcançado pela investigação da Polícia Federal.
O caso também envolve um dos principais aliados políticos de Jerônimo. Jaques Wagner foi alvo da mesma fase da Operação Compliance Zero e aparece em documentos da investigação que apuram sua relação com Augusto Lima. Nesta semana, com o levantamento do sigilo de procedimentos, novos elementos dessas apurações vieram a público.


