No coração da Chapada Diamantina, um paraíso hoje conhecido por suas cachoeiras e trilhas, existe uma história curiosa que conecta o sertão baiano à Europa. No século XIX, a descoberta de diamantes transformou cidades como Lençóis e Mucugê em polos mundiais de mineração.
Entre 1845 e 1871, Lençóis foi considerada a maior produtora de diamantes do planeta. O movimento era tão intenso que comerciantes estrangeiros se instalaram na região. A França, impressionada com a riqueza que brotava dos rios da Chapada, chegou a manter um vice-consulado em Lençóis, para acompanhar de perto os negócios e proteger seus cidadãos.

A cidade ganhou fama e luxo, sendo apelidada de “Paris sertaneja”. Casas elegantes, comércio movimentado e a presença de estrangeiros davam ao lugar um ar cosmopolita em pleno sertão baiano.
Com o tempo, a descoberta de jazidas na África do Sul reduziu a importância da Chapada no cenário mundial. O garimpo entrou em declínio, mas a região se reinventou. Hoje, o grande tesouro não está mais nos rios, mas na natureza preservada: o Parque Nacional da Chapada Diamantina, criado em 1985, que atrai visitantes de todo o mundo.
Jornal da Chapada


