O governador Jerônimo Rodrigues (PT) chega à reta final do mandato mantendo no primeiro escalão um secretário que se tornou alvo da Polícia Federal (PF) no caso Banco Master. A permanência de Eduardo Sodré Martins à frente da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), mesmo após ser alcançado pela Operação Compliance Zero, se soma a uma sequência de episódios envolvendo nomes escolhidos para ocupar cargos na gestão petista.
Desde 2023, o governo já teve entre seus quadros um condenado por injúria racial, um diretor acusado de assédio sexual e chegou a nomear para a própria administração penitenciária um ex-detento acusado de tentativa de homicídio qualificado.
Assédio sexual
Em 2024, Lázaro José dos Santos Silva ocupava a Diretoria de Gestão de Mercados e Centrais de Abastecimento da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) do Governo da Bahia e foi exonerado. Filiado ao PT e ex-vereador de Queimadas, no norte baiano, ele foi acusado de assédio sexual.
Segundo informações publicadas à época por sites locais, a acusação remontava ao período em que Lázaro ocupava a Secretaria de Infraestrutura de Queimadas. O episódio teria ocorrido em 2017 e envolvido uma servidora pública que trabalhava como auxiliar na pasta municipal. Conforme as publicações, Lázaro teria apalpado os seios da funcionária.
Condenado por injúria racial
Outro episódio ocorreu com Emilson Piau, que já havia ocupado a Secretaria das Relações Institucionais (Serin) durante o governo de Jaques Wagner (PT) e atuado como assessor especial na Fundação da Criança e do Adolescente (Fundac).
Reportagens publicadas em 2023 revelaram que Piau havia sido condenado por injúria racial por um episódio ocorrido em 2015. Apesar da condenação, ele foi nomeado durante o governo Jerônimo Rodrigues para uma diretoria na Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb).
De acordo com informações constantes no processo judicial, Piau teria cometido injúria racial contra servidores do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), quando ainda era chefe de gabinete da Serin.
Durante uma visita a uma antiga colega de trabalho, ele teria perguntado qual função ela exercia no órgão. Ao ser informado de que ela estava lotada na Coordenação de Interação Social do Meio Ambiente, Piau teria afirmado que aquele posto “não é para negros; é para brancos, como eu”.
Ainda conforme o processo, diante da reação da servidora e de outros funcionários que estavam no local, Piau teria acrescentado: “Na Europa, o meio ambiente é comandado por brancos. Lá tudo é feito de concreto, com avenidas e prédios. Não tem verdes e não tem árvores”.
Ex-presidiário na Seap
As controvérsias chegaram também à Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização do Estado da Bahia (Seap). Em junho de 2025, o governo Jerônimo nomeou Sátiro Sousa Cerqueira Júnior para o cargo de diretor-adjunto do Conjunto Penal de Salvador.
Sátiro havia sido preso em 2019 por homicídio qualificado por motivo fútil. Ele cumpriu prisão preventiva no Presídio de Salvador até receber alvará de soltura e passou a responder pelo crime em liberdade. No cargo para o qual havia sido nomeado, teria salário superior a R$ 11 mil e a responsabilidade de auxiliar na gestão do presídio, colaborando com a organização, a manutenção da ordem e a segurança da unidade.
Após a divulgação do caso, o Governo da Bahia voltou atrás e tornou sem efeito a nomeação. O episódio ocorreu em um período de crise no sistema prisional baiano. A Força Penal Nacional chegou a ser empregada no Conjunto Penal de Eunápolis, no extremo sul do estado, onde 16 detentos haviam fugido após um ataque armado ocorrido em dezembro de 2024.
Caso Master
Em 2026, um novo episódio passou a atingir diretamente o primeiro escalão do governo. Desta vez, o envolvido é o secretário estadual do Meio Ambiente, Eduardo Sodré, alvo da Polícia Federal durante uma ação da Operação Compliance Zero, investigação relacionada ao Banco Master que apura corrupção, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
Eduardo Sodré, que é enteado do senador Jaques Wagner (PT), aparece relacionado com a BN Financeira, empresa citada na investigação no contexto de movimentações financeiras sob apuração da PF.
De acordo com documentos que embasaram a investigação, a BN Financeira teria recebido R$ 3,5 milhões, em outubro de 2025, da PKL One Participações S.A. A Polícia Federal também aponta que os repasses estariam relacionados a cobranças feitas por Eduardo Sodré a um gestor ligado ao banco.
Apesar de o secretário ter se tornado alvo da PF, Jerônimo decidiu mantê-lo no comando da Sema. Para o governador, não há motivo para afastá-lo do cargo.

