Notas que atravessam gerações e carregam histórias de diferentes comunidades vão se encontrar em Mucugê neste final de semana. As filarmônicas Lyra Popular de Mucugê, João Mendes de Almeida, de Canarana, Filarmônica Minerva, de Morro do Chapéu, e 25 de Fevereiro, de São Gabriel da Cachoeira, participam da segunda edição do projeto Ponte Para as Filarmônicas, neste sábado (19) e domingo (20), com uma programação voltada à formação e ao intercâmbio entre músicos.
Mais do que apresentações, as filarmônicas funcionam como espaços de aprendizado e convivência musical, especialmente em cidades do interior, onde bandas comunitárias ajudam crianças, jovens e adultos a desenvolver conhecimentos sobre instrumentos, leitura musical e prática coletiva. O projeto busca justamente aproximar essas experiências, permitindo que músicos de diferentes idades e trajetórias compartilhem técnicas, repertórios e formas de fazer música.
Durante os dois dias, os integrantes participarão de oficinas no Colégio de Tempo Integral de Mucugê (Cetim), no Centro da cidade. A programação inclui aulas de flauta, clarinete, saxofones, trompete, trombone, tuba, bombardino, percussão e arranjos, conduzidas por músicos da Orquestra Afrosinfônica, entre eles o maestro Ubiratan Marques, além de professores convidados.
Música como formação e patrimônio
A proposta também coloca em evidência o papel das filarmônicas na preservação da memória cultural baiana. Presentes em diferentes municípios, essas formações mantêm repertórios, práticas coletivas e tradições que passam de uma geração para outra, ao mesmo tempo em que servem como porta de entrada para quem deseja iniciar uma trajetória na música. O contato com profissionais e grupos de outras localidades pode ampliar esse repertório e abrir novas possibilidades para os participantes.
Para os músicos, a experiência representa uma oportunidade de aprendizado que vai além das técnicas individuais. Ensaiar, executar arranjos e tocar em conjunto exigem escuta, disciplina e interação entre os integrantes, enquanto o contato com outras bandas permite conhecer diferentes métodos de ensino e interpretação.
“A proposta é criar pontes entre saberes musicais, entre gerações e entre territórios. Acreditamos que as filarmônicas são fundamentos históricos e culturais da música produzida na Bahia”, afirma Ubiratan Marques.
O encerramento acontece no domingo (20), às 17h, com uma apresentação conjunta e aberta ao público na Praça Coronel Propércio, conhecida como Praça do Banco do Brasil. Realizado pela Casa da Ponte Maestro Ubiratan Marques, com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio do Fundo de Cultura da Bahia e do Programa de Apoio a Ações Continuadas, o Ponte Para as Filarmônicas chega à segunda edição reforçando a circulação de conhecimento e a valorização de instituições que seguem formando músicos e preservando a cultura musical em diferentes territórios.
Jornal da Chapada


