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#Chapada: Catolés preserva história do ouro e reúne montanhas, cachoeiras e tradições no município de Abaíra

Estagiário 2 por Estagiário 2
19 setembro 2026 - 18h05
no Top, Viagem
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#Chapada: Catolés preserva história do ouro e reúne montanhas, cachoeiras e tradições no município de Abaíra

Catolés está cercado pelas montanhas que formam uma das paisagens marcantes do sul da Chapada Diamantina | FOTO: Reprodução/Bahia sem Terra |

Catolés, povoado de Abaíra com origem no século XVIII, mantém atualmente entre montanhas da Chapada Diamantina um conjunto de características que reúne história, cultura, agricultura e turismo de natureza. A localidade atrai visitantes interessados em conhecer um território marcado pelo antigo ciclo do ouro e pelas paisagens das serras do Barbado e do Guarda-mor.

Situada em um vale de altitude no sul da Chapada Diamantina, a comunidade cresceu a partir da movimentação de garimpeiros atraídos pelas descobertas de ouro na região de Piatã e Rio de Contas. O povoado funcionava inicialmente como ponto de passagem e pouso para quem circulava pelas serras em busca das jazidas.

A exploração mineral, porém, perdeu força depois do esgotamento das jazidas de extração mais fácil. O isolamento geográfico passou a fazer parte da rotina dos moradores, que encontraram na agricultura uma alternativa para a sobrevivência e o desenvolvimento da comunidade.

Foi nesse processo que o cultivo do café e da cana-de-açúcar ganhou espaço. A produção de cachaça em alambiques tradicionais também passou a integrar a economia local. Atualmente, o café produzido em áreas de altitude é um dos destaques de Catolés e da região de Piatã, conhecida pela produção de cafés especiais.

Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso foi construída em 1775 e integra o patrimônio histórico local | FOTO: Reprodução/Bahia Sem Terra |

Marcas de um passado ligado ao garimpo
A história da antiga exploração mineral ainda pode ser percebida em diferentes pontos da vila. Um dos principais símbolos é o Monumento ao Garimpeiro, localizado na Praça João Hipólito Rodrigues, conhecida pelos moradores como Praça do Garimpeiro.

O espaço funciona como ponto de encontro da comunidade e também representa a relação histórica de Catolés com os antigos trabalhadores que chegaram à região durante o período de exploração do ouro.

Outro marco importante é a Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso, construída em 1775. A construção surgiu em uma antiga rota que ligava os polos auríferos de Rio de Contas e Jacobina e, ao longo do tempo, a vila foi se formando ao seu redor.

Com características arquitetônicas que remetem ao período de formação do povoado, a igreja guarda imagens de madeira e elementos de sua estrutura original. Conforme as informações fornecidas, o templo estava fechado para obras de restauração conduzidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na época da publicação do material de referência.

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Um território cercado por montanhas
Para além do patrimônio histórico, Catolés é ponto de partida para quem procura trilhas, cachoeiras e grandes altitudes. Catolés de Cima, extensão do povoado, possui um mirante que permite observar o vale e algumas das principais formações montanhosas da região.

Do alto, podem ser vistos o Morro do Cuscuz, o Pico do Altino e a Serra do Guarda-mor, além do próprio vale onde estão os povoados.

A Serra do Guarda-mor concentra parte das atrações naturais mais conhecidas do território. Entre elas está a Cachoeira da Saia, situada próxima ao topo da serra, a cerca de 1.500 metros de altitude. O acesso é feito por trilha e o percurso reúne trechos de subida e pontos de observação da paisagem.

Mais abaixo está a Cachoeira do Guarda-mor, com aproximadamente 12 metros de queda e um poço utilizado para banho. Por possuir acesso mais curto, a atração é uma das opções procuradas por famílias durante períodos de temperaturas mais elevadas.

O mesmo curso d’água abriga ainda a Cachoeira da Samambaia, formada por dois saltos. O percurso exige atenção em alguns trechos devido às pedras escorregadias e ao terreno acidentado.

Morro do Cuscuz se destaca pela imponência de sua formação rochosa e pela vista privilegiada das montanhas que cercam Catolés, em Abaíra | FOTO: Reprodução/Redes sociais |

Grutas, formações rochosas e mirantes
Entre as atrações de maior dificuldade está a Cachoeira Subterrânea, ligada a uma rede de grutas e passagens por onde correm águas de afluentes do Rio de Contas. O acesso inclui trechos pelo leito do rio e uma passagem estreita entre as rochas, exigindo cuidado dos visitantes.

O Morro do Cuscuz também chama atenção pela formação rochosa e pela história contada pelos moradores sobre sua origem. Uma antiga narrativa local relaciona o formato da montanha a um desabamento ocorrido durante o período do garimpo.

Já a Lapa do Odilon apresenta formações rochosas que se destacam na paisagem da Serra do Guarda-mor. A trilha até o local possui trechos íngremes e proporciona diferentes ângulos do vale.

Outro ponto de destaque é a Pedra do Chapéu, uma formação rochosa que ganhou esse nome por lembrar um chapéu apoiado sobre outra pedra. O local pode ser incluído em percursos que passam pela Lapa do Odilon e pela Cachoeira da Saia.

Caminho para os gigantes da região
Catolés também está entre os acessos utilizados para chegar ao Pico do Barbado, que, com 2.033 metros de altitude, é considerado o ponto culminante do Nordeste brasileiro. O pico está em uma área que envolve os municípios de Piatã, Abaíra, Rio de Contas, Érico Cardoso e Rio do Pires.

Outro destaque é o Pico do Altino, com 1.918 metros. A subida exige preparo físico e atenção, especialmente em trechos mais íngremes e de vegetação fechada. Os dois picos integram a chamada Travessia Gigantes do Nordeste.

A variedade de caminhos faz com que Catolés funcione não apenas como destino, mas também como ponto de partida para experiências de maior duração nas montanhas da Chapada.

Pico do Altino, com 1.918 metros, integra os percursos de montanha que partem da região de Catolés | FOTO: Reprodução/Redes sociais |

Tradições preservadas pelo isolamento
Durante décadas, as dificuldades de acesso contribuíram para manter Catolés relativamente afastada dos grandes fluxos urbanos. Esse isolamento também ajudou a preservar costumes e manifestações culturais transmitidos entre gerações.

Rezas, festejos e o Reisado permanecem associados à identidade da comunidade, que mantém relações familiares e comunitárias estreitas.

A chegada de visitantes, especialmente interessados em trilhas, montanhas e cafés especiais, acrescenta uma nova atividade à rotina local sem apagar as características que ajudaram a formar o povoado.

Como chegar
Uma das alternativas de acesso é seguir até Piatã e, de lá, continuar pela BA-148 em direção a Abaíra. No entroncamento, o trajeto segue por uma estrada que desce a serra em direção a Catolés.

O percurso entre Piatã e o povoado leva cerca de 50 minutos, conforme as informações fornecidas. A estrada de acesso vem passando por obras de pavimentação, o que pode alterar as condições de deslocamento ao longo do tempo.

A partir de Salvador, o trajeto até Piatã é de aproximadamente 557 quilômetros e passa pelas rodovias BR-324, BR-116, BA-046, BA-245 e BA-148.

Jornal da Chapada

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Tags: AbaíraCatoléschapada diamantinaTurismo
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