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#Eleições2026: Bancada feminina no Congresso bate recorde; resultado não significa avanço nas pautas feministas

Na ordem: Mara Caseiro (PL), Rose Modesto (União), Camila Jara (PT) e Isa Marcondes (Republicanos). Deputadas federais eleitas em MS | FOTO: Reprodução |

As mulheres ampliaram a presença no Congresso Nacional após as eleições realizadas no domingo (4), com recorde histórico de parlamentares eleitas para a Câmara dos Deputados e o Senado Federal. O resultado aumenta a representação feminina nas duas Casas, embora ainda mantenha as mulheres em minoria no Legislativo.

Na Câmara dos Deputados, 109 mulheres foram eleitas, contra 90 em 2022. O número representa crescimento de cerca de 21% e fará com que as deputadas ocupem aproximadamente 21% das 513 cadeiras da Casa.

Apesar do aumento na quantidade de eleitas, o número de mulheres que disputaram uma vaga na Câmara diminuiu. Foram 2.820 candidatas em 2026, ante 3.317 em 2022. A redução ocorreu mesmo com o crescimento da quantidade de mulheres que conseguiram chegar ao Parlamento.

Senado Federal terá 40 novos parlamentares a partir de 2027 | FOTO: Antônio Cruz/Agência Brasil |

Senado também terá aumento na bancada feminina
No Senado Federal, 12 mulheres foram eleitas entre as 54 vagas em disputa. Com a posse das novas parlamentares, a bancada feminina passará das atuais 15 para 18 senadoras a partir de 2027, o maior número já registrado na Casa desde a redemocratização.

O Senado possui 81 cadeiras e os mandatos têm duração de oito anos. A cada eleição, um terço ou dois terços das vagas são renovados, conforme o ciclo eleitoral.

Mesmo com o avanço, as mulheres representarão cerca de 22% do Senado. O Distrito Federal será a única unidade da Federação a contar com três senadoras, considerando as eleitas e a parlamentar que já ocupa uma das cadeiras.

O Piauí permanece como o único estado brasileiro que nunca elegeu uma mulher para o Senado.

Mais mulheres não significa mesmas pautas
O crescimento da representação feminina não significa, necessariamente, que todas as parlamentares defenderão as mesmas pautas ou posições políticas. A cientista política Flávia Biroli destaca que a presença de mais mulheres no Legislativo pode ampliar a diversidade de experiências, mas não garante uma atuação uniforme em temas relacionados aos direitos das mulheres.

Um exemplo citado é o da deputada Bia Kicis, que votou contra a legislação que estabelece igualdade salarial entre homens e mulheres que exercem a mesma função.

Câmara dos Deputados terá 109 mulheres entre as 513 cadeiras a partir da próxima legislatura | FOTO: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil |

Mulheres negras avançam na Câmara
Outro destaque foi o aumento da presença de mulheres negras na Câmara. Pelo menos 15 mulheres negras foram eleitas para a Casa, número 66,6% maior que o registrado em 2022, quando nove foram escolhidas.

Para Tainah Pereira, diretora-executiva da organização Transparência Brasil, o avanço representa uma mudança importante na composição do Legislativo, embora ainda exista uma diferença significativa entre a participação das mulheres negras na população e sua presença no Parlamento.

No Senado, porém, nenhuma das 12 mulheres eleitas para as vagas em disputa se identifica como negra. Entre as parlamentares que não conseguiram a reeleição está Eliziane Gama (PT), que se declara negra.

Também deixaram o Senado Mariana Silva (Rede) e Benedita da Silva (PT). Benedita foi a primeira mulher negra eleita para o Senado, em 1998, e apenas quatro mulheres negras ocuparam uma cadeira na Casa ao longo da história.

A nova composição representa um avanço na presença feminina no Congresso, mas os números mostram que a participação das mulheres ainda está distante de uma representação proporcional à população brasileira. Com informações da Agência Brasil.

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