As mulheres ampliaram a presença no Congresso Nacional após as eleições realizadas no domingo (4), com recorde histórico de parlamentares eleitas para a Câmara dos Deputados e o Senado Federal. O resultado aumenta a representação feminina nas duas Casas, embora ainda mantenha as mulheres em minoria no Legislativo.
Na Câmara dos Deputados, 109 mulheres foram eleitas, contra 90 em 2022. O número representa crescimento de cerca de 21% e fará com que as deputadas ocupem aproximadamente 21% das 513 cadeiras da Casa.
Apesar do aumento na quantidade de eleitas, o número de mulheres que disputaram uma vaga na Câmara diminuiu. Foram 2.820 candidatas em 2026, ante 3.317 em 2022. A redução ocorreu mesmo com o crescimento da quantidade de mulheres que conseguiram chegar ao Parlamento.
Senado também terá aumento na bancada feminina
No Senado Federal, 12 mulheres foram eleitas entre as 54 vagas em disputa. Com a posse das novas parlamentares, a bancada feminina passará das atuais 15 para 18 senadoras a partir de 2027, o maior número já registrado na Casa desde a redemocratização.
O Senado possui 81 cadeiras e os mandatos têm duração de oito anos. A cada eleição, um terço ou dois terços das vagas são renovados, conforme o ciclo eleitoral.
Mesmo com o avanço, as mulheres representarão cerca de 22% do Senado. O Distrito Federal será a única unidade da Federação a contar com três senadoras, considerando as eleitas e a parlamentar que já ocupa uma das cadeiras.
O Piauí permanece como o único estado brasileiro que nunca elegeu uma mulher para o Senado.
Mais mulheres não significa mesmas pautas
O crescimento da representação feminina não significa, necessariamente, que todas as parlamentares defenderão as mesmas pautas ou posições políticas. A cientista política Flávia Biroli destaca que a presença de mais mulheres no Legislativo pode ampliar a diversidade de experiências, mas não garante uma atuação uniforme em temas relacionados aos direitos das mulheres.
Um exemplo citado é o da deputada Bia Kicis, que votou contra a legislação que estabelece igualdade salarial entre homens e mulheres que exercem a mesma função.
Mulheres negras avançam na Câmara
Outro destaque foi o aumento da presença de mulheres negras na Câmara. Pelo menos 15 mulheres negras foram eleitas para a Casa, número 66,6% maior que o registrado em 2022, quando nove foram escolhidas.
Para Tainah Pereira, diretora-executiva da organização Transparência Brasil, o avanço representa uma mudança importante na composição do Legislativo, embora ainda exista uma diferença significativa entre a participação das mulheres negras na população e sua presença no Parlamento.
No Senado, porém, nenhuma das 12 mulheres eleitas para as vagas em disputa se identifica como negra. Entre as parlamentares que não conseguiram a reeleição está Eliziane Gama (PT), que se declara negra.
Também deixaram o Senado Mariana Silva (Rede) e Benedita da Silva (PT). Benedita foi a primeira mulher negra eleita para o Senado, em 1998, e apenas quatro mulheres negras ocuparam uma cadeira na Casa ao longo da história.
A nova composição representa um avanço na presença feminina no Congresso, mas os números mostram que a participação das mulheres ainda está distante de uma representação proporcional à população brasileira. Com informações da Agência Brasil.

