Mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, divulgadas em reportagem do UOL nesta terça-feira (13), apontam a existência de uma rede de prostituição que teria movimentado ao menos R$ 4,3 milhões desde 2023, com atuação no Brasil e no exterior. O caso, investigado pela Polícia Federal (PF), envolve o recrutamento de mulheres estrangeiras, algumas delas refugiadas, para eventos privados.
De acordo com a reportagem, as conversas indicam que Vorcaro não apenas contratava acompanhantes, mas também participava de decisões sobre a seleção das mulheres e discutia a criação de uma agência para centralizar as atividades. Entre as nacionalidades citadas estão russa, ucraniana, venezuelana, argentina e polonesa.
A investigação também envolve o promotor de eventos Diogo Batista e Leonardo Serrano, proprietário de uma empresa do setor. Segundo o UOL, Batista recebia R$ 120 mil mensais de Vorcaro. Os diálogos indicariam a participação de intermediários na organização de encontros privados e no recrutamento das mulheres.
Mensagens citam refugiadas ucranianas
Um dos episódios descritos na reportagem envolve uma jovem ucraniana de 19 anos que teria chegado ao grupo em outubro de 2023, após participar de uma festa de Halloween. No mês seguinte, Batista teria informado a Vorcaro que havia três refugiadas ucranianas entre as mulheres recrutadas.
Segundo o UOL, Vorcaro respondeu: “Tem que sobrar alguma refugiada pra mim”. Em mensagens posteriores, Batista teria relatado que a jovem não poderia retornar à Ucrânia porque os pais consideravam mais seguro que ela permanecesse fora do país.
Em dezembro de 2023, o promotor de eventos teria dito que a jovem não tinha para onde ir e que a cidade onde vivia estava sendo bombardeada. As conversas também mencionariam a intenção de ela buscar refúgio na Itália.
Conversas mencionam criação de agência
A possibilidade de criar uma agência para administrar a contratação das mulheres aparece em diferentes trechos das mensagens. Conforme a reportagem, em uma das conversas, Batista escreveu: “Bora colocar elas na agência e daí lavamos as mãos”.
Em janeiro de 2024, ele teria sugerido alugar uma casa ou um apartamento por meio da empresa para acomodar as mulheres. Os diálogos também indicariam que Vorcaro participava de decisões sobre quem permaneceria no grupo e sobre a contratação de mulheres para eventos.
A reportagem relata ainda o uso de expressões depreciativas para se referir às mulheres, incluindo termos associados à idade e à suposta disponibilidade para encontros. As conversas são apresentadas pelo UOL como parte do material obtido durante a apuração jornalística.
Polícia Federal investiga possíveis crimes
Segundo o UOL, a Polícia Federal abriu um inquérito em maio para investigar a participação de mulheres estrangeiras nos serviços e possíveis irregularidades na contratação. A apuração busca esclarecer se houve crimes relacionados ao favorecimento da prostituição, à exploração sexual ou ao tráfico internacional de pessoas.
A prostituição voluntária, por si só, não é crime no Brasil. No entanto, o favorecimento da prostituição por terceiros e a exploração sexual podem configurar crimes, conforme as circunstâncias. A caracterização de tráfico de pessoas depende da análise dos fatos e dos requisitos legais aplicáveis.
De acordo com a publicação, os principais investigados citados são Vorcaro, Batista e Serrano. O UOL informou que Batista e Serrano não responderam aos contatos da reportagem. A publicação também noticiou que a defesa de Vorcaro não se manifestaria sobre o assunto. As acusações ainda dependem da apuração das autoridades e não devem ser tratadas como condenações. Com informações do UOL.


