O aroma e a qualidade do café especial produzido nas montanhas da Chapada Diamantina estão ligados ao trabalho de famílias que encontraram na cafeicultura uma fonte de renda e um projeto de vida. Em Piatã, a mais de 1.200 metros de altitude, essa realidade será retratada em um minidocumentário idealizado pela indústria nordestina São Braz, que registra os bastidores da produção e destaca o potencial dos grãos cultivados na região.
Gravado durante quatro dias no município, o audiovisual acompanha histórias de produtores e aborda a relação entre agricultura familiar, conhecimento agrícola e desenvolvimento regional. A produção também apresenta as etapas que envolvem o cultivo, desde os cuidados com o solo até a colheita e a secagem, processos que influenciam as características e a qualidade do café.
Um dos personagens é Edinei Figueiredo, ex-servidor público que deixou a estabilidade do funcionalismo para se dedicar à cafeicultura familiar. Sua trajetória mostra as exigências de uma atividade que depende de acompanhamento constante e dedicação em diferentes fases, até que os grãos estejam prontos para chegar ao consumidor.
“Não é para qualquer um largar tudo e vir fazer. Desde a adubação, a colheita, a secagem no terreiro até chegar à xícara, o café passa por muitas mãos. Tem muito afeto envolvido nisso”, relata.
A tradição também aparece na história de Lucineia de Oliveira, produtora com quase quatro décadas de experiência no manejo do café. Primeira mulher a integrar a Coopiatã, cooperativa de cafeicultores de Piatã, ela construiu sua trajetória no campo e hoje conta com a participação dos cinco filhos no negócio familiar.
“Muita gente acha que mulher não consegue lidar com adubação e plantio, mas a gente consegue tudo. Quando vendíamos sem valorização, uma saca saía por R$ 300; hoje vendemos sacas por até R$ 4.000. Parcerias que divulgam nosso café nos dão mais recursos para crescer e continuar”, afirma a produtora.
O trabalho desenvolvido em Piatã tem contribuído para ampliar o reconhecimento dos cafés especiais da Chapada Diamantina. A altitude, as condições de cultivo e os cuidados com o processamento fazem parte dos fatores que influenciam as características dos grãos. A seleção e a secagem também são etapas importantes para preservar a qualidade e atender às exigências de consumidores interessados em cafés diferenciados.
A produção da Coopiatã foi escolhida pela São Braz para compor o Café da Bahia, novo rótulo gourmet da indústria. A parceria conecta os cafeicultores familiares a um produto comercial de maior alcance e busca ampliar a visibilidade dos grãos baianos no mercado.
“Queremos mostrar que o café da nossa gente tem qualidade, identidade e pode chegar a mercados exigentes”, destaca a engenheira agrônoma e presidente da cooperativa, Luisa Bittencourt.
Para a São Braz, a iniciativa também representa uma forma de valorizar a produção nordestina.
“Ter um café de altitude da Bahia na nossa linha gourmet é uma escolha de qualidade. O Nordeste produz café de alta qualidade, onde as pessoas precisam conhecê-los”, afirma Frederico Dominguez, gerente nacional de marketing da empresa.
Com estreia prevista para as próximas semanas nas redes sociais da marca e uma versão reduzida para a televisão, o minidocumentário pretende aproximar o público das histórias dos cafeicultores e das etapas de produção. Ao colocar a Coopiatã em evidência, a iniciativa destaca a importância da agricultura familiar para a cafeicultura de Piatã e para a valorização dos produtos da Chapada Diamantina.
Jornal da Chapada

