A estratégia de mobilização digital utilizada na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, passou a inspirar grupos políticos na França, na Espanha e na Argentina, conforme reportagens publicadas em 27 e 28 de outubro. A iniciativa, criada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) por meio de um canal no WhatsApp, busca ampliar o alcance de mensagens políticas e organizar a atuação de apoiadores nas redes sociais.
O chamado ‘Exército de Lula’ ganhou projeção durante a campanha eleitoral brasileira ao reunir milhões de participantes. A estratégia consistia em distribuir orientações e tarefas para que os integrantes compartilhassem publicações, divulgassem conteúdos favoráveis ao candidato e convidassem novas pessoas para participar do canal.
Na França, apoiadores do partido França Insubmissa, fundado por Jean-Luc Mélenchon, adotaram um modelo semelhante de mobilização digital. A iniciativa também chegou à Espanha, onde simpatizantes do primeiro-ministro Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), passaram a utilizar canais de mensagens para organizar apoiadores e ampliar a circulação de conteúdos políticos.
Na Argentina, um grupo chamado ‘Ejército del Peronismo’ também adotou referências à experiência brasileira. A iniciativa reúne apoiadores do campo peronista, que faz oposição ao governo do presidente Javier Milei, e utiliza estratégias de divulgação e recrutamento de novos participantes.
O modelo brasileiro chamou a atenção de movimentos políticos estrangeiros pela capacidade de coordenar ações digitais em larga escala. Entre as práticas adotadas estão o compartilhamento de publicações, o incentivo à interação nas redes e a divulgação de orientações para aumentar o alcance das mensagens.
A estratégia, porém, também esteve no centro de disputas na Justiça Eleitoral brasileira. Durante a campanha, o canal foi alvo de decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) relacionadas a questionamentos apresentados pela campanha adversária sobre a circulação de conteúdos. O caso ampliou o debate sobre os limites da mobilização política nas plataformas digitais. Com informações do G1.


