O governo dos Estados Unidos pediu ao senador Flávio Bolsonaro (PL), nesta quinta-feira (29), que retirasse de uma carta divulgada nas redes sociais as expressões “verdadeiro presidente do Brasil” e “presidente eleito”, após sua derrota nas eleições presidenciais brasileiras. A solicitação ocorreu depois que integrantes do Departamento de Estado avaliaram que o conteúdo poderia sugerir um reconhecimento oficial de sua suposta vitória e provocar consequências diplomáticas na relação com o Brasil.
A informação foi divulgada pelo jornalista Valdo Cruz, da GloboNews, e também pela colunista Mariana Sanches, do UOL. Segundo diplomatas ouvidos pelas reportagens, representantes do governo norte-americano consideraram que a declaração poderia ser interpretada como um posicionamento de Washington contra o resultado das urnas brasileiras.
A preocupação teria surgido após integrantes da administração do presidente Donald Trump tomarem conhecimento da primeira versão do documento, publicada na quarta-feira (28). Na ocasião, Flávio se apresentou como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e contestou o resultado do segundo turno, alegando fraude eleitoral sem apresentar provas.
Após a repercussão, o senador apagou a publicação e divulgou uma nova versão da carta. No texto revisado, substituiu as expressões por “líder do Brasil” e “líder”.
Segundo as informações divulgadas, aliados de Flávio afirmaram que a mudança foi apenas um ajuste na redação. Já diplomatas ouvidos pela GloboNews relataram que a alteração ocorreu após a manifestação do governo norte-americano.
Posicionamento de Trump
Apesar de críticas ao processo eleitoral brasileiro, Donald Trump mantém interlocução com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O presidente norte-americano também declarou que não pretendia se envolver na controvérsia envolvendo a carta de Flávio.
Em declaração na quarta-feira (28), Trump confirmou que os Estados Unidos autorizaram a entrada do senador e de seus familiares no país, mas evitou comentar o conteúdo do documento.
Nova versão da carta
Na versão revisada, Flávio agradeceu a Trump e ao presidente argentino Javier Milei pelo apoio recebido durante sua saída do Brasil. O senador afirmou que está nos Estados Unidos com a família e em segurança.
Ele também negou ter fugido do país, declarou ser alvo de perseguição política e afirmou que pretende liderar a oposição ao governo Lula a partir do território norte-americano.
Flávio foi derrotado por Lula no segundo turno das eleições presidenciais, com uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos. Com informações do Bahia Notícias.

