O atacante Willian José, do Esporte Clube Bahia, passou a ser alvo de um procedimento do Ministério Público da Bahia (MP-BA) na quarta-feira (28), em Salvador, após compartilhar nas redes sociais um vídeo com ofensas à população nordestina, publicado depois do segundo turno das eleições presidenciais de 2026; o jogador também republicou conteúdos que criticam eleitores da região e questionam decisões relacionadas ao processo eleitoral.
Além do vídeo que motivou a apuração, o atacante compartilhou publicações com críticas a pessoas que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e comentários sobre a migração de nordestinos para outras regiões do país em busca de melhores condições de vida.
Em uma das gravações, o cirurgião e gastroenterologista conhecido como Doutor Morato Luiz Costa afirma que não pretende ajudar pessoas que votaram em Lula. Em outro vídeo, o palestrante Rossini Macedo questiona por que moradores deixam o Nordeste para procurar oportunidades em outros lugares.
O jogador também republicou conteúdos que sugerem priorizar destinos turísticos como Maceió, em Alagoas, em vez de boicotar a região. A publicação apresenta como justificativa o desempenho eleitoral da capital alagoana. Outros vídeos compartilhados por Willian José trazem questionamentos sobre decisões relacionadas à votação, com manifestações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), do deputado federal Nikolas Ferreira (PL) e do vereador Lucas Pavanato (PL).
MP-BA apura suspeita de xenofobia
O procedimento instaurado pelo Ministério Público da Bahia está sob responsabilidade da Promotoria de Justiça de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa. A apuração foi motivada por um vídeo compartilhado pelo atacante no domingo (25), no qual um influenciador digital critica moradores do Nordeste e chama a região de “câncer desse país”.
Na gravação, o autor também associa a população nordestina ao recebimento de benefícios públicos e critica o resultado eleitoral. A publicação provocou reação de torcedores do Bahia, que cobraram um posicionamento do atleta e do clube nas redes sociais.
Após a repercussão, Willian José apagou o conteúdo e restringiu comentários em seus perfis. A abertura do procedimento não significa que tenha havido comprovação de crime. Até a última atualização das informações divulgadas, não havia prazo definido para a conclusão da apuração.
Jogador diz que pretendia criticar políticos
Após as críticas, Willian José publicou uma manifestação nas redes sociais na qual afirmou ser nordestino, morar na região e conhecer as dificuldades enfrentadas pela população.
“Sou nordestino e moro no Nordeste! Minha família é nordestina! Sei o que nosso povo passa e o quanto luta”, escreveu.
O atacante disse que sua intenção era questionar a atuação dos políticos e defender melhorias na educação, saúde, segurança e qualidade de vida. Na publicação, pediu que os eleitores refletissem sobre suas escolhas nas urnas, mas não apresentou um pedido explícito de desculpas pelo compartilhamento do vídeo.
Bahia repudia conteúdo e deixa atacante fora de partida
Na terça-feira (27), o Esporte Clube Bahia divulgou uma nota em que repudiou manifestações de ódio, xenofobia e preconceito. O clube informou que a situação havia sido tratada internamente e ressaltou que o conteúdo compartilhado pelo atleta não representa os valores da instituição.
“O Bahia reafirma seu caráter apartidário ao tempo em que se distancia de qualquer discurso que estimule intolerância ou discriminação”, afirmou o clube no comunicado.
Na quarta-feira (28), Willian José ficou fora da lista de relacionados para a partida contra o São Paulo, pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro. Segundo informações divulgadas pelo ge, a decisão foi tomada pelo clube para preservar o jogador diante da repercussão do caso.
O técnico Rogério Ceni comentou a ausência do atacante e classificou o episódio como um assunto sério, afirmando que o momento deveria servir para reflexão. O clube não detalhou publicamente outras medidas relacionadas ao caso.
Até a última atualização das reportagens consultadas, não havia conclusão do Ministério Público sobre eventual responsabilidade criminal do jogador. Com informações do G1.


